Mineirinho comemora volta pra casa e lembra de Ricardinho: “me puxou”

  • Por Lucas Reis / Jovem Pan
  • 22/12/2015 17h00
Adriano de Souza recebeu o carinho dos fãs e falou com a imprensa sobre a conquista

Depois de brilhar no Hawaii e conquistar um título histórico, o campeão mundial de surfe em 2015 finalmente está em casa. Adriano de Souza desembarcou no Brasil nesta terça-feira e concedeu entrevista coletiva em São Paulo.  

Carregando um sorriso que não cabe em seu rosto e o pesado troféu da WSL, Mineirinho valorizou o trabalho das gerações passadas de brasileiros que abriram caminho na elite do surfe mundial, e destacou a dificuldade de encarar Mick Fanning ao longo de toda a temporada.

Ao lado de seu irmão, Ângelo de Souza, Adriano recordou a amizade com o surfista Ricardo dos Santos, o Ricardinho, morto no início de 2015 e valorizou a volta pra casa..

Sensação de voltar para casa e a recepção da torcida

“Está sendo um  sonho presenciar isso (momento do surfe brasileiro). Claro que nós atletas almejamos chegar aqui, mas não temos noção nenhuma. O Gabriel, ano passado, mostrou como chegar no topo e estou muito feliz de traçar esse caminho e trazer o título. Isso tudo graças ao meu irmão, minha família. Claro, tem um pedaço deles nesse troféu”, disse o campeão.

“Foram muitos anos de batalha. Desde a época do Pro-Junior, conquistei o título Mundial Junior sem muitas pessoas acreditando. Eu tinha 15 anos. Fui pro Mundial sub21 e na minha ida fui pra ganhar experiência e conquistar o mundo com tão pouca idade me abriu diversas portas. Graças a Deus escolhi as portas certas e pude ir em busca desse tão sonhado título mundial”, completou.

A importância do título de Gabriel Medina em 2015

“Acho que foi fundamental a vitória do Gabriel. Mostoru um caminho a ser traçado. Sempre trabalhei com um espelho. Quando entrei no Circuito era Neco, Teco, Victor Ribas. Sempre enxerguei isso, eram minhas referências. Eu tinha uma referencia que era um terceiro colocado no rankoing na época. Quando o Gabriel foi campeão, eu falei ‘agora é minha hora’. Fui usar ele como referência e vou em busca do meu sonho.”

Mick Fanning: o homem a ser batido

“Pelo ano que o Fanning fez, lutar contra um três vezes campeão do mundo com a experiência que ele tem, e ele sendo o favorito… é complicado. Mesmo assim não abaixei a cabeça. Sempre acreditei que esse dia poderia chegar e que poderia ser campeão. Não só no Hawaii, porque pra você chegar no Hawaii com chances, tem que fazer 10 boas provas. Tudo conspirou a meu favor, a correnteza me jogou no título mundial”.

“O Fanning é o cara mais forte do WCT. Força mental… ele é tao forte que jogou coisas pessoais de lado e traçou o caminho para ser campeão. Quando o cara é forte mentalmente, você percebe que é duro. É como se fosse um boxeador, quanto mais você bate, mais ele vai ficar de pé”.

A ajuda de Ricardinho

Nós sempre fomos muito amigos. O Ricardo me puxou em 2007 pra sempre. Ficamos em Teahoopo para treinar e uma das coisas que eu admiro muito em mim mesmo é que consigo enxergar a dificuldade e vou pra frente. Muita gente tem dificuldade de olhar no espelho e ir embora. Enxerguei isso em 2007, fiquei mais de 20 dias lá e tive um cara que me puxou do início ao fim, que foi o Ricardo dos Santos. Na época eu tinha 19 anos e ele tinha 15… falei ‘pô, um garoto surfando mais que eu; estou tomando porrada e o cara de 15 anos me dando um nó’. O que a gente fez naqueles 20 dias, me marcou bastante. Ser campeão era o sonho da vida dele… quando fui campeão em Pipe, a única coisa que veio na cabeça era ele”

O agradecimento aos surfistas do passado

“Eu enxergo uma evolução. Os pioneiros do surfe brasileiro deixaram alguns buracos. E eles não sabiam. Tiveram que traçar um caminho na base da enxada. E hoje, essa nova geração está tapando esses buracos e construindo uma evolução. Esses pioneiros que começaram na década de 60 e 70, começaram na base bruta enquanto americanos e australianos já tinha roupa de borracha. Hoje, mostra que o Brasil evoluiu muito no esporte”

A felicidade de voltar ao Gurujá

“O Guarujá sempre teve bons frutos. Foram muitos atletas que se destacaram no cenário nacional. Poder representar o Guarujá é uma honra. É minha casa, minha origem. É um dos melhores lugares pra se aprender a surfar. A onda é tranquila. Pra base, é fundamental e eu ficava o dia inteiro lá surfando. Tenho muito orgulho de onde eu venho e é o único lugar no mundo onde realmente me sinto em casa”