Ministério Público da Suíça abre processo criminal contra Blatter

  • Por Agência Estado
  • 25/09/2015 12h14

O presidente da Fifa Joseph Blatter não vai marcar presença na final da Copa do Mundo feminina

Joseph Blatter

O Ministério Público da Suíça abriu um processo criminal contra o presidente da Fifa, Joseph Blatter, por suspeita de gestão desleal e por ter agido “contra o interesse da Fifa”. Uma operação policial ocorreu na sede da entidade e seus computadores e documentos foram confiscados. 

Uma das suspeitas se refere à venda de direitos de transmissão pela TV da Copa do Mundo. A emissora suíça SRF revelou recentemente que Blatter assinou um contrato em 2005 em que negociava os direitos de transmissão das Copa do Mundo de 2010 e de 2014 para a União Caribenha de Futebol, comandada por Jack Warner, ex-vice-presidente da Fifa, por um total de US$ 600 mil.

O valor é considerado bastante inferior aos que os contratos poderiam render. Ao serem revendidos por Warner, o dirigente teria lucrado milhões de dólares. “Existe a suspeita de que ele agiu contra os interesses da Fifa”, disse o Ministério Público.

Outra suspeita se refere a um pagamento de Blatter para Michel Platini, presidente da Uefa, no valor de 2 milhões de francos suíços. Nesta sexta-feira, tanto Platini como Blatter foram interrogados. 

O incidente levou a Fifa a tomar a inédita decisão de cancelar uma coletiva de imprensa depois da reunião do seu comitê executivo. Com o presidente da entidade, Joseph Blatter, sem poder sair da Suíça, com o secretário-geral, Jérôme Valcke, afastado e todos os computadores confiscados pela polícia, a entidade passou a ser controladas pela Justiça e por advogados.

No início da tarde, a reportagem foi informada de que um “incidente” ocorreu durante o dia e que os executivos foram instruídos a não falar com os jornalistas e nem dar detalhes. A Fifa também anunciou que fecharia sua sala de imprensa, às 17 horas de Zurique (12 horas no horário brasileiro).

Tradicionalmente, os encontros da Fifa são seguidos por entrevistas coletivas. Desta vez, cerca de cem jornalistas foram informados primeiro que o evento seria adiado em meia-hora. Depois de serem retirados da entrada do local, os jornalistas foram comunicados sobre mais um atraso. Finalmente, uma hora depois, por e-mail, todos foram informados de um cancelamento definitivo de qualquer evento público. “Algo grande ocorreu”, confirmou à reportagem um alto dirigente da Fifa, sem revelar exatamente o que ocorreu e agora se tornou público. 

Em um comunicado de imprensa, a Fifa apenas explicou que sua próxima reunião, marcada para dezembro, não ocorrerá mais no Japão, como estava planejado. A ação pode ser vista com uma tentativa de evitar uma eventual prisão de Blatter. O encontro foi transferido para a Suíça.