MP investiga possível suborno no caso Lusa e fraude financeira com banco Banif

  • Por Jovem Pan
  • 14/03/2014 19h56

O presidente da Portuguesa Folhapress Manuel da Lupa

O caso Portuguesa, envolvendo a escalação irregular de Héverton, na última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado e que acabou com o rebaixamento do clube, salvando o Fluminense, teve mais um capítulo nesta sexta-feira (14).

O promotor do Ministério Público de São Paulo, Roberto Senise, que está investigando toda a história e o julgamento da Portuguesa no STJD revelou um possível tráfico de influência – suborno. Com o depoimento de testemunhas, documentos e informações obtidas no setor de inteligência criminal do MP eles cogitam que alguém dentro do clube pode ter levado vantagem na escalação do jogador.

“Há indícios pelo contexto da situação financeira do clube e dos problemas envolvendo antiga diretoria de que tenha havido trafico de influencia. É bom deixar claro que ele não precisava nem ter entrado em campo, pois a escalação irregular já possibilitaria, nos padrões da Justiça Desportiva, a pena que a Portuguesa sofreu”.

Senise informou que pelas grandes proporções está ocorrendo, há cerca de 30 dias, uma investigação criminal por parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que podem culminar investigações de novos crimes, não relacionados diretamente ao Campeonato Brasileiro.

“Há o caso de operações casadas de várias empresas e pessoas físicas com o banco Banif [ex-patrocinador da Portuguesa], que foram levantadas na investigação do inquérito civil. A Portuguesa também estaria fazendo parte do sistema de operações casadas”.

O então presidente da Portuguesa na época, Manuel da Lupa, teria aprovado uma linha de crédito de R$ 300 mil mensais com o banco Banif em 2005, quando assumiu o cargo, devido aos problemas financeiros. O dinheiro era transferido para o presidente e o vice, que repassavam o valor para a Portuguesa.

As investigações indicam que a partir do segundo mandato houve um desalinhamento entre as transferências, e o presidente foi proibido de realizar empréstimos em nome da Portuguesa.

“Não posso afirmar que as movimentações bancárias que estamos apurando tem relação direta ou indireta como caso,não dá para informar categoricamente se houve tráfico de influencia e quem teria recebido por conta disso”

Segundo o promotor, não é somente o presidente que está sendo investigado, mas outras pessoas que acabaram participando da falha coletiva do clube. Se confirmado a fraude com o Banif, Senise destacou que não só a Portuguesa estaria envolvida, mas uma séria de outras empresas que não tem ligação com futebol e pessoas do banco”.

As informações se distorcem internamente na Portuguesa, uma vez que o ex-presidente Manoel da Lupa afirma que poderia fazer os empréstimos, com autorização do conselho deliberativo e do conselho fiscal, mas algumas pessoas dizem que os contratos bancários nunca foram apresentados ao conselho.

Ainda tentando salvar o clube paulista do rebaixamento, Senine explicou que a promotoria entrou nesta sexta-feira com um recurso de agravo de instrumento, depois de a liminar que tentava anular a decisão do STJD de retirar os pontos de Portuguesa e Flamengo ter sido negada.