Muricy detona amadorismo no futebol brasileiro: “não é só pôr o Tite lá e fim”

  • Por Jovem Pan
  • 19/07/2016 18h19

Foi Muricy quem bancou que Denis deveria ser o titular do São Paulo após a aposentadoria de Ceni

Foi Muricy quem bancou que Denis deveria ser o titular do São Paulo após a aposentadoria de Ceni

Em 15 rodadas, dez trocas de técnicos no Campeonato Brasileiro. A estatística assusta. E revolta. Que o diga Muricy Ramalho. Afastado dos bancos de reservas e inclinado a se aposentar, o treinador tetracampeão brasileiro conversou com exclusividade com Flávio Prado e detonou a má gestão do futebol nacional – a entrevista, na íntegra, vai ao ar no próximo fim de semana, na Rádio Jovem Pan. 

“Quando contratam técnico e logo em seguida mandam embora, é porque não têm convicção do que estão fazendo. Vão contratando de acordo com pressão da torcida, imprensa… Não têm conhecimento da filosofia do clube para depois ir atrás do técnico. A gestão é o grande mal do futebol brasileiro atualmente. Nós somos muito amadores, ainda. Ganhamos cinco títulos mundiais, mas não evoluímos nada em gestão, criticou Muricy. 

O técnico de 60 anos, que se afastou do futebol para cuidar da saúde, citou até o surpreendente Independiente Del Valle, do Equador, como exemplo a ser seguido pelos clubes brasileiros. Apesar de ter menos recursos que os rivais, o modesto time de Pichincha chegou à final da Libertadores após eliminar gigantes como River Plate e Boca Juniors. O treinador do Del Valle é Pablo Repetto, que está no cargo há quatro anos. 

“Isto é inimaginável aqui no Brasil… Você fica dois, três anos, como aconteceu comigo, e já começa a incomodar, porque as pessoas são vaidosas, querem dar palpite… A gente é amador demais. O mínimo que os caras se organizam, já nos superam. Isso se chama organização, afirmou Muricy. No Brasil, quando ouvimos algum dirigente falar que tem projeto, planejamento, é tudo mentira, palavra de efeito… Porque, quando o time perder três jogos seguidos, já vai pensar em demissão, acrescentou. 

A realidade incomoda tanto, que Muricy falou até mesmo sobre a presença de Tite na Seleção Brasileira. Ele, que sempre defendeu a troca de Dunga pelo ex-corintiano no comando técnico do selecionado nacional, fez questão de dizer que a simples mudança no banco de reservas canarinho não vai resolver todos os problemas do futebol verde e amarelo. Para Muricy, uma reforma geral é necessária. 

“Uma simples troca no comando técnico da Seleção faz muita gente achar que já está tudo certo. E não é assim. Não é só colocar o Tite lá e acabou. O futebol brasileiro precisa mudar muito, principalmente na parte de gestão… E não só da CBF, mas dos clubes também. Tem muita coisa errada. O pior é que não dá nem para se aprofundar, porque aí vou falar coisas pesadas aqui, finalizou, em tom misterioso.