No sufoco, São Paulo empata na Bolívia e vai às oitavas da Libertadores

  • Por Estadão Conteúdo
  • 22/04/2016 00h14

Calleri foi o grande nome do São Paulo na classificação para a próxima fase

São Paulo comemora classificação

Com mais garra do que ar nos pulmões, o São Paulo se manteve vivo na Copa Libertadores nesta quinta-feira (21). O time suportou o ar rarefeito de La Paz e a pressão do The Strongest para segurar o empate por 1 a 1 e se classificar às oitavas de final em segundo lugar do Grupo 1, com nove pontos. O zagueiro Maicon precisou atuar no gol depois de Denis ser expulso nos acréscimos. O adversário nas oitavas de final será o Toluca, do México, com o primeiro jogo no Morumbi, pois a equipe adversária realizou melhor campanha na fase de grupos.

O sofrimento é sempre previsto quando se joga na Bolívia. E o São Paulo abusou de testar o limite, ao ser pressionado por 90 minutos e terminar o jogo sem goleiro. Denis surpreendeu ao aparecer no gramado de calças, estilo imortalizado por Zetti.

Só que mais uma vez o substituto de Rogério Ceni teve uma atuação ruim ao falhar no primeiro gol da partida, e por ser expulso nos acréscimos ao levar o segundo cartão amarelo por retardar o jogo.

A equipe mal atacou e se segurou na tradição que tem no torneio para avançar à segunda fase pela 13ª vez seguida.

A altitude de 3,6 mil metros acima do nível do mar castigou o time no jogo. O ar rarefeito fez Bruno ser substituído para se sentar no banco de reservas e respirar por uma máscara ligada ao balão de oxigênio que o São Paulo levou ao estádio. A cena foi um retrato da amargura de uma equipe que em campo no segundo tempo pouco tinha pernas para tirar a bola de perto da sua grande área.

O estreante técnico César Farías conseguiu fazer o The Strongest pressionar o São Paulo o jogo inteiro. O time explorou as condições do jogo para superar a limitação e encurralar do começo ao fim.

Apesar do caos, todas as precauções foram tomadas pelo São Paulo para se jogar na altitude. Ainda assim, não substituem o objetivo primordial do futebol, que é o de marcar gols. De tanto se poupar para atacar e de evitar correr, o São Paulo optou por não jogar nos minutos iniciais. A decisão deu ao time boliviano a chance de pressionar.

A escolha de colocar Wesley em campo para reforçar a marcação e deixar Ganso no banco de reservas tirou do time a força na criação. Os jogadores tinham de avançar sozinhos com a bola, sem ter para quem tocar.

O panorama beneficiou o The Strongest e, de tanto a bola rondar pelo ataque, uma hora o time da casa foi recompensado. Em cobrança de falta aos 29 minutos, Denis saiu mal e Cristaldo completou de cabeça praticamente sob o travessão. O lance foi duvidoso, já que antes de a bola passar pelo goleiro, um atacante participou da jogada.

Após viajar somente horas antes da partida, tentar administrar o ritmo e manter a marcação atrás do meio-campo, o São Paulo se viu obrigado a fazer o que não queria. A desvantagem forçava a começar a incômoda missão de correr na altitude para não ser eliminado.

Isso era mais difícil pela falta de inspiração da equipe, mas o fim do primeiro tempo amenizou o sufoco. Kelvin cobrou escanteio para Calleri igualar de cabeça, aos 43 minutos. Foi o oitavo gol do artilheiro da Libertadores no torneio.

O empate foi um lucro gigantesco. Logo no lance seguinte Kelvin ainda fez ótima jogada individual, até estragar o lance com um chute torto. A virada não veio por pouco, em aperitivo de que o segundo tempo seria de angústia.

O fôlego do São Paulo diminuía a cada minuto. O time precisou ter sorte para Alonso escorregar e de frente para o gol, chutar errado e não fazer outro. O veterano Escobar ditava o ritmo dos ataques com liberdade. Lá na frente, a equipe paulista continuava a tentar segurar a posse de bola.

A entrada de Ganso até ajudou. Mas o The Strongest acuava cada vez mais. O drama durou até mais de 50 minutos do segundo tempo, quando o “zagueiro-goleiro” Maicon salvou o time em cruzamentos.