O que Nelson Rodrigues diria do 7 a 1? Descubra em especial da Jovem Pan

  • Por Jovem Pan
  • 07/07/2015 19h29
Montagem sobre AFP e Divulgação Segundo Nelson Rodrigues

O escritor, jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues fez (ainda mais) falta quando o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2014, há exato um ano. Observador atento e perspicaz do escrete, o pernambucano certamente faria uma análise precisa e oportuna da tragédia no Mineirão.

Como Nelson não está mais entre nós – faleceu há quase 35 anos, em 21 de dezembro de 1980, o repórter Thiago Uberreich, da Rádio Jovem Pan, simulou como o dramaturgo descreveria a maior derrota da Seleção em toda a sua história.

“Amigos, o único que se pode esperar do subdesenvolvido é o protesto. Ele tem de espernear, tem de subir pelas paredes, tem de se pendurar no lustre. Sua dignidade depende de sua indignação. Ou ele na sua ira dá arrancos de cachorro atropelado, ou temos que chorar pela sua alma”, disse Rodrigues em uma crônica sobre a eliminação do Brasil da Copa do Mundo de 1966.

Mesmo se referindo a um acontecimento de 49, a crônica faz todo o sentido para a situação atual do futebol brasileiro, onde nossos dirigentes fingem que nada aconteceu no ano passado e insistem na manutenção do status quo que nos levou ao vexame. “O normal é que nós, paus de arara, estivéssemos vociferando contra a iniquidade. Um subdesenvolvido não pode manter a sua dignidade sem o protesto. É o protesto, repito, que o salva, que o redime e que o potencializa”, escreveu o pernambucano.

Uberreich finaliza este especial, que mistura o texto de Nelson Rodrigues à narração de Nilson César e à entrevista coletiva de Felipão logo após a partida contra a Alemanha, com uma conclusão parecida com a de Nelson Rodrigues. “A incredulidade parece não ter fim. A derrota para a Alemanha nunca será esquecida. Mas se redimir e tentar se recuperar devem fazer parte do desafio humano. Um desafio que até agora os cartolas e os jogadores brasileiros não quiseram assumir – ou não estão nem aí”.

Ouça, no áudio acima, o especial sobre o 7 a 1 e Nelson Rodrigues.