Olimpíada supera Copa do Mundo em tráfego de dados

  • Por Estadão Conteúdo
  • 20/08/2016 11h36
LWS102. Rio De Janeiro (Brazil), 13/08/2016.- Two women do a selfie together in front of the Olympic rings inside the Olympic Park in Rio de Janeiro, Brazil, 13 August 2016. The Rio 2016 Olympic Games take place from 06 to 21 August. (Brasil) EFE/EPA/LARRY W. SMITHDuas mulheres tiram selfie com o celular em frente aos anéis olímpicos no Rio de Janeiro

Os estrangeiros que vieram para o Brasil para a Olimpíada, que termina amanhã, estão usando a internet móvel com mais intensidade do que aqueles que vieram para a Copa do Mundo em 2014, segundo informações divulgadas ontem pelas empresas de telecomunicações. Os dados mostram que o tráfego de dados – volume de informações enviadas e recebidas por meio da rede celular 3G/4G – a partir de smartphones de estrangeiros aumentou de maneira expressiva na Olimpíada, devido ao intenso uso de aplicativos e de aparelhos compatíveis com 4G.

A Claro, patrocinadora oficial dos jogos olímpicos e paralímpicos, informou ontem um aumento de 270% no tráfego de dados originado por estrangeiros em 12 dias de competição, na comparação com o mês inteiro de jogos durante a Copa. Além disso, ela vendeu 70% mais chips para turistas nas últimas quatro semanas do que o total comercializado durante o torneio de futebol.

A Claro forneceu chips para as delegações, colaboradores do Comitê Olímpico, pessoal de apoio e para a imprensa internacional. “A empresa investiu nos últimos três anos cerca de R$ 30 bilhões, sendo grande parte disso para a Olimpíada”, afirmou Rodrigo Vidigal, diretor de marketing da América Móvil Brasil – que controla a Claro – para o mercado pessoal.

A Oi também registrou crescimento significativo. O tráfego de dados por usuário estrangeiro aumentou 294% na comparação entre 13 dias da Olimpíada e o mesmo período da Copa do Mundo.

Além da maior utilização do 4G, a operadora atribui o resultado à evolução dos celulares. “Desde a Copa do Mundo o número de celulares 4G cresceu dez vezes”, afirma José Claudio Gonçalves, diretor de operações da Oi.

“Na época da Copa, o 4G mal havia sido lançado. Com velocidade maior, é natural que você acesse mais dados em menos tempo”, diz Samuel Rodrigues, analista de telecomunicações da consultoria IDC.

Outro fator que influencia, segundo o analista, é o pacote de dados oferecido aos estrangeiros: no caso da Claro, a operadora oferecia apenas 300 MB de dados em 2014, mas agora entrega 4 GB. “Com a expansão dos pacotes, é natural que o usuário gaste mais”, avalia Rodrigues.

É preciso levar em conta também que o volume de tráfego gerado pelos estrangeiros é superior à média do usuário comum brasileiro, já que nos Estados Unidos, Ásia e Europa os planos de internet incluem pacotes de dados mais generosos.

Os dados surpreendem, já que o número de turistas estrangeiros na Olimpíada é bastante inferior ao da Copa do Mundo. Segundo números do Ministério do Turismo, 1,05 milhão de turistas vieram ao País no evento de 2014. Na Olimpíada, a estimativa é de que 350 mil a 500 mil estrangeiros estejam no Brasil.

A operadora TIM não informou o levantamento sobre o tráfego de dados gerado por estrangeiros, mas declarou importante aumento do uso do 4G em sua rede nos três primeiros dias da competição, sem especificar números.

Segundo a empresa, durante a abertura no Maracanã e nos dias de competição no Parque Olímpico, mais de 70% dos clientes da TIM se conectaram a redes 4G. A Vivo informou que houve grande variação do tráfego de dados entre o período atual e o anterior ao evento, mas não comparou o volume em relação à Copa.