Ouro no karatê do Pan, Douglas Brose recomeça do zero e sonha com Olimpíadas

  • Por Jovem Pan
  • 30/07/2015 18h59
Douglas Brose é bicampeão mundial e fez campanha perfeita no Pan de Toronto

Duas vezes campeão mundial, o catarinense Douglas Brose confirmou o favoritismo no Pan-Americano de Toronto e conquistou a medalha de ouro no karatê na categoria até 60kg. Com a vitória, o atleta completou o ciclo e venceu todos os títulos possíveis. Em entrevista ao repórter Fredy Junior, da Rádio Jovem Pan, Douglas comentou o feito no Pan, explicou algumas particularidades do esporte e falou sobre seu futuro.

 “Foi uma competição muito boa pra mim, cheguei muito bem preparado. Acabei fazendo 18 pontos na primeira fase, não tomei nenhum”, disse o carateca, que falou sobre a dificuldade das lutas. “Todas foram bem complicadas. Eu senti nas duas primeiras lutas que os atletas entraram para empatar comigo, fugiram muito, e é muito difícil lutar contra quem foge. Na semifinal eu consegui impor mais o meu ritmo, e na final eu parti para o tudo ou nada. Nos primeiros minutos já marquei uma pontuação e cresci até o final da luta, quando o árbitro me deu a vitória”, contou. Na decisão, ele venceu o venezuelano Jovanni Martinez por 4 a 0.

A pontuação é concedida pela arbitragem de acordo com certas características dos golpes, que não chegam a acertar o adversário. “Há critérios de tempo e distância correta, não bater e deixar a mão, atitude esportiva, foco de atenção após o movimento… Esses detalhes fazem o karatê ficar muito plástico, muito bonito de se assistir. Não é simplesmente tocar no adversário, tem critérios técnicos que são decisivos”, explicou. “Se fosse um golpe real, causaria um dano ao oponente”.

Apesar de não haver contato real, os lutadores de karatê costumam gritar durante a luta. Douglas explica o motivo. “O grito se chama ‘kiai’ e é uma liberação de energia que a gente acaba soltando quando fazemos o movimento. Quando o movimento é muito forte e muito rápido, você solta esse grito. Não é diferente de outras modalidades, por exemplo, o tênis, em que o atleta grita a cada raquetada na bola. No taekwondo também é assim”.

A medalha no Pan deu ao lutador de 29 anos mais visibilidade, mas a competição não foi tão complicada quanto o campeonato mundial. “A gente fala que os Jogos Pan-Americanos são as nossas Olimpíadas por conta da visibilidade que eles trazem. O campeonato mundial é mais difícil, só que ele não dá tanta repercussão quanto o Pan, por conta de nele estarem todas as modalidades envolvidas, todos os comitês olímpicos nacionais”, disse Douglas, que agora pensa no futuro.

“Consegui conquistar todos os títulos possíveis dentro do karatê, e agora o que me resta é começar tudo de novo. Voltar a treinar e tentar conquistar tudo outra vez”, disse, antes de comentar sobre a possível inclusão do karatê nas Olimpíadas. “Vai ser um divisor de águas para o karatê mundial, temos uma oportunidade real de entrar para os Jogos Olímpicos de 2020, e isso vai fazer com que a modalidade cresça cada vez mais, haja vista que já estamos inseridos em todos os circuitos olímpicos continentais”, torce Douglas Brose.