Outra idade, mesmo futebol: integração da base já faz CBF mirar novos ouros

  • Por Jovem Pan
  • 31/10/2016 19h03

Campeão olímpico em 2016Campeão olímpico em 2016

“É claro que cada treinador tem a sua particularidade, mas o contexto geral, tanto da Seleção principal quanto das Seleções sub-20, sub-17 e sub-15, segue uma linha. Ele é norteado. A ideia é que um atleta não sinta muita diferença ao subir de uma categoria para outra. 

declaração acima, concedida por Erasmo Damiani em entrevista exclusiva a Flavio Prado, para a Rádio Jovem Panexplica por que a CBF confia tanto na conquista de novos ouros olímpicos nos próximos anos. 

Coube ao coordenador de base da Seleção Brasileira liderar uma espécie de “revolução” nas categorias menores da entidade que rege o futebol pentacampeão mundial.

E ela já está em curso.

Deu resultado no Rio de Janeiro e, ao que tudo indica, garantirá a manutenção do bom trabalho nos ciclos olímpicos que estão por vir. 

A palavra-chave do trabalho de Erasmo Damiani, contratado em fevereiro de 2015 para coordenar a base da Seleção Brasileira, é “integração”. Segundo ele, não faz sentido, a longo prazo, que a CBF tenha times sub-15, sub-17 e sub-20 trabalhando de maneiras distintas.  

Foi pensando nisto que o catarinense de 50 anos congregou forças e formou uma unidade em torno das três Seleções de base da CBF. Todas adotam o mesma metodologia de trabalho da equipe principal, hoje considerada cereja de três bolos feitos da mesma massa.

“Na base, a gente está criando uma metodologia de trabalho muito parecida. Claro, respeitamos as valências e os períodos de treinamento de cada idade, mas, em um contexto geral, as três categorias têm o mesmo padrão. E, automaticamente, elas seguem o padrão da Seleção principal. A massa do bolo é a mesma“, metaforizou Damiani. 

“Estamos fazendo um trabalho muito integrado entre as Seleções sub-15, sub-17 e sub-20Por exemplo: o treinador da sub-15 (Guilherme Dalla Déa) é auxiliar da sub-17. E o técnico da sub-17 (Carlos Amadeu) é auxiliar da sub-15. Além disto, o técnico da sub-17 acompanha o trabalho do Rogério Micale na sub-20, e vice-versa. Fica mais fácil trabalhar assim“, explicou. 

A ideia é que as três Seleções de base atuem juntas – mais ou menos como uma estrada que vai desembocar no time principal, hoje comandado por Tite. Até mesmo o ex-treinador do Corinthians está envolvido no projeto tocado por Erasmo Damiani. 

Conversamos constantemente com o Tite e com o Micale, porque o trabalho que está sendo feito hoje na base vai dar retorno para a Seleção principal lá na frente. A própria conquista da Olimpíada dá uma pequena tranquilidade para que continuemos fazendo o nosso trabalho“, celebrou o coordenador das categorias de base da CBF. 

O ouro olímpico mostrou que o futebol brasileiro não está morto, que continuamos revelando grandes jogadores... Nós temos vários atletas com potencial para despontar em cenário mundial no futuro“, complementou, confrontando, aí, a controversa tese de que a atual e as próximas gerações do futebol brasileiro são fracas.

Ligação, também, com os clubes

O trabalho hoje desenvolvido por Erasmo Damiani não integra apenas uma Seleção com outra. O coordenador de base da CBF também tem estreitado laços com os clubes – responsáveis pelo desenvolvimento dos atletas fora do período de convocação. 

“Quando temos oportunidade, trazemos treinadores das categorias de base dos clubes para acompanhar os nossos treinamentos aqui na CBFJá fizemos com São Paulo, Botafogo, Internacional, Figueirense e Sport, e vamos fazer com outros times, também“, garantiu Damiani. 

“Nós falamos para os técnicos o que esperamos dos atletas. Esses treinadores passam a ser, então, os nosso multiplicadores dentro dos clubes. E a recíproca é verdadeira. Os técnicos também nos informam sobre os destaques dos seus respectivos times“, acrescentou.

ano ímpar

Hoje, há competições oficiais em apenas três categorias de base no mundo: sub-15, sub-17 e sub-20. E elas acontecem sempre em anos ímpares, o que significa que, na maioria das vezes, apenas jovens nascidos em anos pares disputam torneios sub-15 e sub-17.  

Isto criava um problema para os jogadores nascidos em anos ímpares: eles quase sempre chegavam à Seleção sub-20 sem ter disputado grandes campeonatos nas categorias inferiores. 

Mas esta lacuna também já está sendo preenchida pelo trabalho de Erasmo Damiani: hoje, além de chamar as Seleções sub-15, sub-17 e sub-20, a CBF também faz convocações de atletas nascidos em anos ímpares – nem que seja apenas para treinamentos 

Jogadores sub-16 e sub-18, por exemplo, já se reuniram algumas vezes na Granja Comary para períodos de atividades. Assim, a entidade dá mais experiência às jovens promessas e expande o mapeamento de cada geração.  

Se novos ouros olímpicos forem conquistados pelo futebol brasileiro nos próximos anos, então, certamente não serão mera obra do acaso. Há muito trabalho sendo feito por trás de cada jovem que desponta no País mais vencedor da história do futebol mundial.