Hamilton critica postura da Ferrari na luta contra o racismo: ‘Não ouvi uma palavra sequer’

O hexacampeão mundial chamou a atenção da escuderia italiana após a vitória no GP da Estíria de F1

  • Por Jovem Pan
  • 13/07/2020 16h26
Bryn Lennon/EFELewis Hamilton ergue o punho direto, em manifestação contra o racismo, no alto do pódio do GP da Estíria de F1

Lewis Hamilton venceu o GP da Estíria de ponta a ponta, no último domingo, 12, na Áustria, mas, ainda assim, não estava 100% satisfeito na entrevista coletiva realizada após a prova. O piloto da Mercedes até viu com bons olhos o gesto de mecânicos da RBR, que se ajoelharam no grid antes da largada em protesto contra o racismo, mas chamou a atenção da Ferrari, cobrando que a equipe, assim como toda a Fórmula 1, adote um posicionamento contínuo a favor da causa. Único piloto negro da categoria, o hexacampeão mundial disse que “não ouviu uma palavra sequer” da escuderia italiana sobre a adoção de atitudes constantes na luta antirracista. “Vimos alguns mecânicos da RBR se ajoelharem, o que eu acho que é ótimo, mas como um negócio e como equipes… Se você olhar para a Ferrari, que tem milhares de pessoas trabalhando com eles, eu não ouvi uma palavra sequer deles dizendo que eles se responsabilizam e que isso é algo que eles vão fazer em seu futuro. E nós precisamos que as equipes façam isso”, afirmou.

No último domingo, Hamilton voltou a se ajoelhar antes da corrida, vestindo uma camisa com a mensagem “Vidas Negras Importam”, e foi acompanhado por 13 dos 20 colegas de grid em mais uma manifestação de oposição ao racismo. Os mecânicos de Max Verstappen, da RBR, adotaram o mesmo gesto do piloto da Mercedes, em atitude que se opôs à decisão do próprio holandês de permanecer de pé, assim como Charles Leclerc, Kimi Raikkonen e Daniil Kvyat. Carlos Sainz, da McLaren, e Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo, não compareceram. Após a prova, por sua vez, o britânico ergueu o punho no pódio ao lado de Stephanie Travers, engenheira de fluídos da Mercedes e primeira mulher negra a representar uma construtora na cerimônia de premiação de um GP.

Hamilton elogiou a iniciativa da Fórmula 1 e do presidente da Liberty Media, Chase Carey, em financiar a criação de uma força-tarefa que, junto ao projeto “We Race as One”, vai ajudar a promover oportunidades de emprego e estágio para minorias dentro do automobilismo. Ao mesmo tempo, porém, cobrou a categoria e outras equipes sobre o papel que elas podem exercer na promoção da luta a favor dos direitos humanos. Segundo ele, a ignorância e a negação da existência do racismo não ajudam a causa. “Precisamos que a Fórmula 1 e a FIA sejam mais atuantes nesses cenários, dizendo, ‘ei, pessoal, todos nós juntos, todos precisamos nos unir e lutar por isso’. Acho que muitas pessoas não sabem qual é o problema. Muitas pessoas negam que há um problema. É bom ver Chase (Carey) sendo tão gentil e doando milhões de dólares, e a FIA por dar um passo a frente e também doar milhões. Mas se você não conhece o problema, você não pode consertá-lo, e milhões de dólares não vão muito longe. Muito trabalho precisa ser feito na Fórmula 1. A FIA realmente precisa tomar parte nisso, e acho que os pilotos também precisam se juntar”, afirmou.

O hexacampeão mundial ainda revelou que muitos pilotos não entenderam a ação contra o racismo como uma manifestação contínua, e que isso seria fundamental para que a Fórmula 1 desse o exemplo para os seus milhões de fãs ao redor do mundo. “Alguns perguntaram ‘por quanto tempo temos que continuar fazendo isso?’. Outros sentiram que uma vez na semana passada já era suficiente, e eu tive que dizer a eles que o racismo provavelmente vai continuar por aqui por muito mais tempo do que a gente. Pessoas que sofrem com o racismo não têm a escolha de apenas ‘tirar um momento’ para protestar e ficar por isso mesmo. Nós temos que continuar lutando por equidade, e promover a preocupação por isso”, finalizou.