Kyrie Irving acredita que retorno da NBA pode atrapalhar luta contra o racismo nos EUA

  • Por Jovem Pan
  • 13/06/2020 12h34
Reprodução/TwitterKyrie Irving é contra a volta da NBA

No dia em que a NBA atualizou o calendário para a retomada das partidas, uma reunião virtual com mais de 80 jogadores da liga discutiu o reinício da temporada, com opiniões divergentes. Vice-presidente da associação de jogadores (NBPA), Kyrie Irving, do Brooklyn Nets, comandou o debate e se opôs ao retorno dos jogos.

Irving se posicionou fortemente contra a retomada da temporada no complexo esportivo da Disney, em Orlando, porque está focado em trabalhar nas linhas de frente de manifestações contra o racismo nos Estados Unidos.

O armador do Brooklyn Nets tem sido uma das principais vozes na luta antirracista que tomou os Estados Unidos depois da morte de George Floyd, um homem negro de 46 anos que morreu asfixiado por um policial branco. Irving lidera o grupo de atletas que acreditam que um retorno da NBA pode ofuscar o movimento por justiça racial.

No entanto, em outro momento da conferência online, Irving disse que permaneceria com o grupo e viajaria para o complexo da Disney em Orlando se os jogadores concordassem que essa era a decisão certa.

“Se vale a pena arriscar, então vamos fazê-lo”, afirmou Irving na reunião. “Mas se vocês não estiverem de acordo com isso, tudo bem também. Temos opções para os dois lados. Vamos chegar a um meio termo como uma família.”

“Quando voltarmos a jogar de novo, as notícias deixam de falar do racismo estrutural para quem fez o que no jogo de ontem à noite. É um momento crucial para nós conseguimos lidar com o que está acontecendo nas comunidades”, disse à ESPN norte-americana um jogador que não quis se identificar. “Nós estamos nos perguntando como podemos ter um maior impacto. Saúde mental é parte da discussão também e como vamos lidar com isso na bolha”, acrescentou.

O astro LeBron James, do Los Angeles Lakers, diverge de Irving. O veterano faz parte do grupo de atletas que desejam o retorno da liga e entendem que a retomada da NBA não vai enfraquecer a luta antirracista e o processo de busca por mudanças sociais nos Estados Unidos. Antes dos protestos eclodirem, LeBron chegou a dizer que não ficaria tranquilo se a temporada não for concluída dentro de quadra.

Além de Irving, participaram da reunião virtual outros astros como Chris Paul, Kevin Durant, Donovan Mitchell, Carmelo Anthony, Dwight Howard, Russell Westbrook e Andre Iguodala. As atletas da WNBA Tiffany Hayes, Kristi Toliver, Renee Montgomery e Natasha Cloud também estavam na discussão online.

Dwight Howard, pivô do Los Angeles Lakers, considera que o momento é de tomar uma posição e usar o poder e visibilidade dos jogadores para implementar mudanças no sistema de justiça e inverter a maneira como a polícia norte-americana trata as pessoas negras.

Há, porém, atletas que discordam da opinião de Irving. Um deles é Kyle Kuzma, dos Lakers. “Alguns de nós queremos jogar e competir, não entendam isso de forma distorcida”, escreveu ele em seu perfil no Twitter nesta sexta-feira, dia da reunião.

Um dos fatores que motivam Kuzma e outros jogadores a se posicionarem a favor da volta das partida pode ser a questão financeira. Caso a temporada não seja finalizada em quadra, os donos das equipes podem ativar uma cláusula de renegociação dos salários de seus jogadores.

*Com Estadão Conteúdo