Presidente do COB sobre Olimpíada: ‘Haverá prejuízo, mas não acredito que será grande’

  • Por Jovem Pan
  • 02/04/2020 13h11
Rafael Bello/COBPaulo Wanderley é presidente do COB

O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 para 2021 foi comemorado pelo COB (Comitê Olímpico do Brasil), mas vai custar caro. O presidente da entidade, Paulo Wanderley, admite que a previsão de despesas com o evento (R$ 40 milhões) inevitavelmente será ajustada para cima e que seu maior adversário no momento é o dólar, que não para de subir por causa da pandemia do novo coronavírus – a moeda norte-americana fechou a quarta-feira valendo R$ 5,26 na cotação comercial, um recorde.

“Nós já contratamos fornecedores para atender às delegações, já havíamos mandado pessoas de logística ao Japão para cuidar da preparação para os Jogos, portanto é dinheiro que já foi gasto. E que terá de ser gasto de novo, porque vamos ter de mandar gente para lá novamente no ano que vem. Haverá prejuízo, sim, embora no momento não seja possível medir o tamanho dele. Mas não creio que será grande, não será nada capaz de nos levar a uma situação de insolvência”, disse, em entrevista ao “Estado”.

“Uma das maiores rubricas de investimento do COB para os Jogos foram as passagens aéreas, afinal de contas levaremos a Tóquio uma delegação formada por mais de 500 pessoas. O pagamento dessas passagens já foi efetuado e conseguimos negociar com a companhia aérea contratada (Air Canada) a manutenção total do acordo, apenas com a mudança das datas. Foi um espetáculo, e é claro que o fato de o local e a época do ano dos Jogos terem sido mantidos foi fundamental”, continuou.

Apesar disso, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), que comanda o COB desde 2017, está aliviado com a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) e do governo japonês de mudar a data do evento. Segundo ele, o novo cenário vai dar tempo aos atletas para fazer uma preparação adequada para os Jogos e à sua entidade para buscar novos patrocinadores.

“A prospecção por recursos é diária, temos gente no COB que trabalha exclusivamente na busca de novas fontes de receita. É claro que não será fácil, mas não perdemos a expectativa de conseguir algo até os Jogos. Por incrível que pareça, nesse aspecto o adiamento da Olimpíada pode ter um efeito positivo, pois teremos mais tempo para prospectar, para sensibilizar mais empresas a nos apoiar”, declarou Paulo.

Essa procura por mais dinheiro, aliás, será mesmo necessária. Afinal de contas, mais de 95% da receita total do COB para 2020 (R$ 322 milhões) sairia das loterias da Caixa Econômica Federal e é certo que, por causa do novo coronavírus, o volume de apostas vai cair. Ainda assim, e apesar da disparada do dólar, Paulo Wanderley disse que a entidade está preparada para enfrentar a crise e que ela não deverá afetar o desempenho dos atletas brasileiros em Tóquio.

“Agora nós temos mais de um ano até os Jogos e os estudiosos terão, portanto, um tempo mais do que suficiente para reprogramar os treinamentos dos competidores. Sendo assim, se o adiamento tiver alguma influência nesse campo, será positiva. Agora os atletas terão um pequeno período de férias e, na sequência, poderá ser feita com calma uma nova periodização de treinos”, completou.

*Com informações do Estadão Conteúdo