Polêmica com patrocinador e cigarro no vestiário: a rebeldia de Johan Cruyff

  • Por Jovem Pan
  • 23/10/2015 10h05
Histórico jogador do Barcelona

Jogador moderno, versátil, com poder de armação, finalização e grande conhecimento tático. Um craque totalmente a frente de seu tempo. Johan Cruyff é um dos principais jogadores da história do futebol e se destacou pela genialidade e a rebeldia dentro e fora de campo.

Ídolo holandês, o ex-jogador foi diagnosticado com câncer de pulmão, notícia divulgada na última quinta-feira (22). Fumante durante muitos anos, Cruyff chegou a passar por cirurgia no coração, em 1991, e a partir daí iniciou sua luta conta o cigarro.

Com muita atitude com ou sem a bola, o ex-craque do Barcelona e do Ajax foi símbolo do futebol moderno a partir dos anos 70, sempre mostrou personalidade forte e fidelidade aos seus conceitos.

Cigarro

Ícone do “futebol total”, o holandês fumou durante toda a sua carreira. Em seu auge, no Ajax e no Barcelona, Cruyff não hesitava ao acender um cigarro nos vestiários. Ao mesmo tempo em que brilhava nos campos europeus, o holandês chegava fumar 20 cigarros por dia. Após cirurgia no coração em 1991, o craque passou a fazer campanha contra o tabagismo.

Patrocinadores

Em 1974, Cruyff surpreendeu o mundo não só pelo belíssimo futebol com sua Holanda, mas também por se envolver em polêmica com duas marcas de material esportivo. A Laranja Mecânica era patrocinada pela Adidas, na época não era permitido estampar logomarcas do patrocinadores nos uniformes, então a empresa alemã colocou suas três listras nas mangas das camisas laranjas, nos calções e nas meias.

Patrocinado pela Puma, Cruyff se recusou a carregar a marca da Adidas, concorrente histórica de sua patrocinadora. Já conhecido como um dos grandes jogadores do planeta na época, o craque achou uma solução simples para o entrave: vestiu o uniforme com apenas duas listras em suas mangas, no calção e nas meias.

Concentração aberta

A seleção holandesa de 1974 foi revolucionária, não só pelo futebol que ficou conhecido como “carrossel”, mas também pela postura de seus jogadores. Liderada por Cruyff, capitão da equipe e melhor jogador do mundial disputado na Alemanha, a Holanda decidiu não trancar sua concentração. Foi permitida a entrada de amigos e familiares no hotel em que a seleção se instalou, dando margem até para boatos de que garotas de programa visitavam os atletas.

Identificação com a Catalunha

Em 1973, quando chegou ao Barcelona, Cruyff viu a Espanha ainda sob a ditadura franquista. O histórico camisa 14 do Barça nunca escondeu sua oposição ao general Franco e, ao lado de sua mulher, fugiam dos conceitos tradicionais usando cabelos esvoaçantes e roupas diferentes. O holandês se identificou com a Catalunha, tanto que ao encerrar a carreira, passou a morar na região e batizou seu filho mais novo com o nome Jordi (Jorge em Catalão), em homenagem a São Jorge, padroeiro da Catalunha.