Presidente da 1ª CPI do Futebol diz que penta em 2002 “atrasou a limpeza”

  • Por Jovem Pan
  • 09/12/2015 12h04
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A CPI do Futebol atualmente presidida pelo senador Romário (PSB-RJ) em Brasília não é a primeira tentativa de investigar irregularidades e desvios na administração do futebol brasileiro. Em 2001, a “primeira edição” da CPI foi presidida por Alvaro Dias, hoje senador do PSDB pelo Paraná. Em entrevista exclusiva a Wanderley Nogueira na Jovem Pan, o tucano afirmou que, há 14 anos, já havia indícios fortes dos crimes apurados hoje, e que a conquista da Copa do Mundo de 2002 “atrasou a limpeza”.

“O que eu lamento é que a Justiça brasileira não tenha aprofundado, uma vez que nós denunciamos 17 dos principais cartolas brasileiros (em 2001). Não houve continuidade nesses processos e nós perdemos 14 anos, certamente teríamos evitado muitos desvios no período. Mas como o Brasil em 2002 conquistou o título mais uma vez e foi recebido com festividades aqui no Palácio do Planalto, nós tivemos essa condescendência, e a impunidade prevaleceu. Uma pena, porque perdemos muito, atrasamos esse processo de limpeza”, disse Dias.

O senador afirmou que não quis participar da edição atual da CPI do Futebol por desconfiar de sua composição. Os únicos elogios do tucano ficaram para Romário. “Infelizmente, o Romário está de certa forma isolado, fazendo um grande esforço, se dedicando, enfrentando quase que sozinho, e não tem tido a colaboração. Percebi que a composição da CPI tinha por objetivo esconder e não revelar. Infelizmente, ele sozinho não pode produzir aquilo que gostaríamos”.

Além do presidente Romário, a CPI do Futebol é composta por outros dez senadores: Fernando Collor (PTB-AL), Zezé Perrella (PDT-MG), Ciro Nogueira (PP-PI), Donizeti Nogueira (PT-TO), Humberto Costa (PT-PE), João Alberto Souza (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR), Omar Aziz (PSD-AM), Paulo Bauer (PSDB-SC) e Davi Acolumbre (DEM-AP).

Para Dias, a CPI pode obter avanços, mas está muito atrasada em relação às investigações internacionais que já levaram à prisão dirigentes do alto escalão da Fifa, da Conmebol e de outros órgãos do futebol.

“Creio que ela pode cumprir o papel de dar transparência aos fatos, mas é evidente que as outras instituições estão mais avançadas, especialmente fora do país. O que nós esperamos é um avanço e desdobramento aqui, internamente, com o Ministério Público atuando a partir das denúncias que chegam de lá, estabelecendo uma parceria e compartilhando informações”, concluiu o senador.