Presidente do Barça vira réu em caso de sonegação na contratação de Neymar

  • Por Agência EFE
  • 03/02/2015 13h52
Josep Maria Bartomeu e Neymar em visita a crianças em hospital. Acusações de fraude chegam ao atual presidente do Barça

O juiz Pablo Ruz, da Audiência Nacional da Espanha, convocou o presidente do Barcelona, Josep María Bartomeu, para depor como réu na próxima sexta-feira no caso de sonegação fiscal na contratação do atacante Neymar, sobre o qual o clube também terá que responder como pessoa jurídica.

Ruz formalizou a acusação atendendo a um pedido feito ontem pela promotoria, que acusa Bartomeu de sonegar cerca de 2,8 milhões de euros em impostos – segundo cálculos da Receita espanhola.

Ruz rejeitou, no entanto, como também lhe foi solicitado ontem pelo promotor José Perals, determinar que esses fatos sejam investigados à parte da causa principal, na qual já foram acusados o Barcelona e o ex-presidente do clube Sandro Rosell, por entender que essas diligências podem ser praticadas “sem demora”.

Segundo a Receita, o Barcelona deixou de pagar, no ano de 2014, 2,6 milhões de euros referentes aos 5 milhões de um “contrato de reconhecimento de descumprimento do contrato de 2011” pelo clube, assinado no dia 3 de junho de 2013. Segundo esse compromisso, a direção reconhecia a obrigação de pagar 40 milhões de euros por Neymar. A esse contrato foi acrescentado, em 31 de julho do mesmo ano, uma cláusula de modificação das datas de pagamento, estabelecendo-se como última parcela esses 5 milhões para 30 de janeiro de 2014.

Segundo o promotor, o Barcelona estaria então obrigado, em 2014, a fazer o desconto equivalente em impostos, pois o jogador já era residente tributário na Espanha naquele ano, e segundo a Receita o clube não quitou o valor correspondente, avaliado em 2,6 milhões.

Além disso, Perals indicou que o Barça também deixou de pagar, em 2014, 234 mil euros dos 900 mil por temporada de um contrato de imagem do atacante e outros 11,7 mil euros pelos 22,5 mil de comissão ao agente de Neymar, que é o próprio pai do jogador.

Todas essas quantias somam 2,8 milhões sonegados em 2014 “à Fazenda Pública pelo FC Barcelona e por seus atuais dirigentes, sendo o presidente do clube Josep Maria Bartomeu”, frisou o promotor em seu relatório.

Segundo a Receita espanhola, pela contratação de Neymar o clube pagou pouco mais de 82,74 milhões de euros, incluindo vários termos que serviram para contratá-lo e que se mesclaram com outros documentos, pelos quais o Barcelona teria que pagar agora aos cofres públicos espanhóis cerca de 12 milhões de euros.

Desta maneira, a contratação do brasileiro custou à equipe catalã um total de 94.892.181 euros, explicou a Receita.