Promotor pede 2 anos de prisão para Bartomeu e 7 para Rosell por caso Neymar

  • Por Agência EFE
  • 23/03/2015 11h12
Neymar brilhou diante do Villarreal e garantiu a classificação do Barcelona à final

A promotoria anticorrupção pediu dois anos e três meses de prisão para o presidente do Barcelona, Josep Maria Bartomeu, e sete anos e seis meses para o mandatário anterior, Sandro Rosell, por crimes fiscais na contratação do atacante Neymar.

O promotor do caso também pediu ao juiz Pablo Ruz a aplicação de uma multa de 22,2 milhões de euros ao Barcelona, que será julgado como pessoa jurídica, de 25,1 milhões de euros a Rosell e de 3,8 milhões de euros a Bartomeu.

No caso de Bartomeu, a pena de reclusão corresponderia a um crime fiscal praticado em 2014. Rosell é acusado de dois crimes fiscais, em 2011 e 2013, aos quais também é somado um crime societário por administração desleal (apropriação indébida).

Ambos são acusados de participarem da suposta fraude na contratação de Neymar, pelo qual o clube deixou de pagar 13 milhões de euros à Fazenda Pública nesses três anos.

O Barcelona é acusado por três delitos fiscais pelos três anos e pode ser condenado a pagar 11,4 milhões de euros à Fazenda como indenização por responsabilidade civil, sendo que 9,5 milhões de euros dessa quantia correspondem a Rosell e 1,9 milhões de euros a Bartomeu.

No caso do Barça, o promotor José Perals leva em conta que o clube depositou 13,5 milhões de euros para a Fazenda, de modo a ressarcir possíveis responsabilidades fiscais. Sendo assim, da mesma forma que Batomeu, há um atenuante por reparação do dano e a quantia será descontada das multas e indenizações que o clube possa ser condenado a pagar.

A invstigação explica os diferentes contratos que foram assinados para contratar Neymar um ano antes, alguns deles disfarçados com outros conceitos, de modo que a contratação do jogador custou ao clube um total de 83,3 milhões de euros, bem mais que os 57,1 milhões de euros que o Barcelona declarou.

Segundo o promotor, Rosell e Bartomeu chegaram a um acordo com o treinador do Barcelona, em reunião realizada em fevereiro de 2013, para antecipar a contratação do brasileiro para o mesmo ano (estava combinado para um ano depois, por 40 milhões de euros), o que gerou mais custos, feitos com diferentes contratos.

Essa decisão, de acordo com o promotor, “foi tomada por Alexandre Rosell e Josep Maria Bartomeu, sem contar com a autorização da Direção do clube, e com Alexandre Rosell liderando as negociações a partir desse momento para antecipar a contratação de Neymar”.

Antecipar a contratação significaria um custo extra porque seria necessário rescindir o contrato do brasileiro com o Santos para adquirir os direitos federativos do jogador. Perals afirma que Rosell ofereceu mais dinheiro a Neymar devido à “perspectiva de que o jogador não assumisse o compromisso combinado e se incorporasse a outro clube de futebol”.

Apesar disso, ambos “decidiram manter publicamente” a informação de que a aquisição de Neymar custaria ao clube os 40 milhões de euros estipulados em 2011, aos quais só seria preciso somar 17,1 milhões de euros pela aquisição dos direitos federativos.

“Para realizar esse plano e com a intenção de ocultar o custo real do jogador”, Rosell “planejou fragmentar o pagamento em diversas verbas, formalizando uma série de contratos a serem feitos com Santos e Neymar, com diversas denominações e que, no entanto, tinham o mesmo objetivo: a contratação de Neymar”, disse o promotor.

Para isso foram feitos vários contratos fraudulentos com três empresas dos pais do jogador, de modo que finalmente o clube teve que pagar 83,3 milhões de euros, custo que “foi omitido pelo então presidente, Alexandre Rosell, ao clube” e que não foi declarado nos balanços anuais.

O promotor também pede que Deloitte identifique as pessoas que fizeram a auditoria das contas do clube catalão nas temporadas 2011-2012 e 2012-2013 para que sejam citadas como testemunhas no julgamento.