Promotores criticam soltura de invasores do CT do Corinthians; Mano pede “socorro”

  • Por Jovem Pan
  • 19/03/2014 10h25

Um grupo de torcedores do Corinthians invadiu o CT e cometeram atos de vandalismo

Torcedores do Corinthians invadiram CT Joaquim Grava

O alvará de soltura concedido aos quatro torcedores que participaram da invasão ao CT do Corinthians em 1º de fevereiro incomodou o promotor do Ministério Público de São Paulo Roberto Senise. Para ele, a decisão é vista com desconfiança e passa impressão de fragilidade no sistema.

Em conversa com a Rádio Jovem Pan, Senise afirmou que o Ministério Público vai analisar a necessidade de responder à decisão, porque as imagens da invasão são fortes. “Não tenho conhecimento das razões para o juiz decidir a decisão de soltura, mas não podemos esquecer que um era foragido, não terá mandado de prisão expedido e outro já havia se metido em confusão em Oruro [quando o garoto Kevin Espada foi morto atingido por um sinalizador] e em Brasília [na briga entre torcedores do Corinthians e do Vasco]”.

A sensação de impunidade que a decisão passa para torcedores pode ser resolvida com criação de uma política criminal específica, diz o promotor. “A União e os Estados precisam estar em parceria para voltarmos a ter paz no futebol, para não enxugarmos gelo com prisões temporárias”.

Mano Menezes, que esteve presente no dia da invasão e chegou a conversar com os torcedores, lamentou a decisão. Para ele, dá a ideia clara dos problemas no país, com acontecimentos que deixam mais preocupados. “Socorro, o negócio tá ficando feio. Como se todo mundo tivesse possibilidade de entrar em repartições publicas por não estar feliz com o trabalho realizado e quebrar tudo, mas é a justiça”.

O presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB de São Paulo, Patrick Pavan, também comentou o caso, e discorda do alvará expedido. “Eu vejo como configurado crime, invadir é ato de vandalismo”.

Ele pediu uma maior punição a torcedores que se envolvem em confusões, e explicou que a OAB-SP tem trabalhado em movimento de paz para o estádio, que já conta com apoio de Corinthians, Palmeiras e São Paulo.  “Precisa ter a extinção de torcidas organizadas, ou fazer valer o Estatuto do Torcedor. Quem agride ou participa de confusões tem que cumprir pena, punição de não ir ao estádio”.

No documento, uma das justificativas do juiz Gilberto Azevedo Morais Costa é: “Descontada a raiva que os torcedores carregavam em razão de os atletas não conseguirem evitar sequer uma derrota humilhante, nenhum outro ato ilícito se verificaria. Aliás, é em razão de os integrantes de torcidas organizadas, vez ou outra, em momentos específicos como o noticiado, se disporem a cometer crimes contra principalmente os jogadores que não se pode falar em quadrilha”.