“Quando chutei, já sabia que era gol”: Basílio revive maior Corinthians x Ponte

  • Por Jovem Pan
  • 28/04/2017 17h23
Basílio - pé de anjo

Finalistas do Campeonato Paulista, Corinthians e Ponte Preta têm, em outra decisão estadual, o maior capítulo de suas respectivas histórias. Rivais na final de 1979 e, agora, na decisão de 2017, as duas equipes também se enfrentaram na fase derradeira do Paulistão de 1977. 

Após dois jogos e uma vitória para cada lado, o time da capital superou a Ponte por 1 a 0, no Morumbi, naquela que é considerada a partida mais importante da história entre as duas equipes.  

O herói do maior Corinthians x Ponte de todos os tempos atende pelo nome de João Roberto Basílio, ou, simplesmente, Basílio. Foi do “Pé de Anjo” o gol mais importante da história do clube de Parque São Jorge – o lance encerrou um jejum de 23 anos do Corinthians sem titulos. 

Prestes a assistir a mais uma final entre as duas equipes, o autor do gol mais importante do confronto conversou com exclusividade com Mauro Beting, da Rádio Jovem Pan, e reviveu tudo aquilo que cercou a terceira partida da decisão de 1977.

Confira abaixo! 

Previsão do técnico do Corinthians, Oswaldo Brandão 

“O Seu Oswaldo Brandão tinha uma fé muito grande. Ele era kardecista, andava com livros dia e noite para nos inspirar… No dia do jogo, ele chegou pela manhã no quarto para nos acordar. Eu e o Zé Maria estávamos em tratamento intensivo. Ele abriu a porta e disse: ‘ninguém vai fazer teste nenhum! Vocês vão entrar, não vão sentir a contusão, e você, neguinho, vai fazer o gol’. O ‘neguinho’ era eu. Eu só disse: ‘que qualquer um faça… O importante é que nós sejamos campeões’.” 

Chute que resultou no gol foi fruto de muito treinamento 

“Na categoria infantil da Portuguesa, a gente fazia alguns treinamentos no Serra Morena. Era um campo que, quando chovia, meu Deus do céu… A bola pulava para tudo quanto é lado. Mas o Ipojucan (ex-meia da Seleção e técnico das categorias de base da Lusa) tinha uma técnica tão apurada que ele participava dos treinos com a gente. Eu não me esqueço até hoje… Ele me chamava e falava: ‘você tem o biótipo de quem pode pegar a bola de bate-pronto’. Ele que me ensinou a fazer essa batida. Eu falava para todo mundo que, se eu chutasse a bola daquele jeito, não erraria.” 

O gol

“O gol foi feito no portão de entrada dos vestiários. Foi uma falta do lado direito. Eles formaram a barreira com dois jogadores. E, normalmente, eu antecipava a defesa no primeiro pau para tentar resvalar e aproveitar a impulsão do Geraldão, do Vaguinho, do Wladimir… Quando eu resvalei, a bola saiu da defesa, e o Vaguinho chutou. Ela pegou no travessão, voltou para o Wladimir, que cabeceou em cima do Oscar… Aí ficou para mim. Foi quando eu aproveitei os ensinamentos do Ipojucan. Peguei de bate-pronto e mandei em um canto que eu vi que estava livre. Quando eu chutei, já sabia que era gol. Era uma certeza que eu tinha.”

A comemoração 

Naquele momento, foi a emoção do gol. Foi cada um para um lado. Nós não estávamos comemorando o título, e sim o gol. Porque não era gol de ouro. Ainda tivemos mais oito minutos infinitos de jogo até o apito final.” 

A saída do Morumbi 

“Eu já fui pro estádio preparado. Fui apenas com um boné e uma bolsa a tiracolo, como se fosse um torcedor. Saí com um amigo e fui caminhando no meio do povão. Entrei no carro dele, a gente foi até a minha casa. Mas eu passei um sufoco ali perto do Jockey. Uma pessoa me reconheceu no trânsito, eu abri a porta e saí para comemorar com todo mundo. Só que quando o farol abriu, eu já me mandei pro carro de novo e zarpei pra casa. Senão, não ia sair de lá nunca.” 

Churrasco em casa 

“Quando cheguei em casa, quase não consegui aproveitar o churrasco, porque era todo mundo pedindo foto, me cumprimentando… São lembranças muito boas, que eu guardo ate hoje. É muito gratificante ver Corinthians e Ponte decidindo o Paulista 40 anos depois daquela final.”