Quarta no Mundial de Marcha, Erica Sena não quer ser favorita na Olimpíada

  • Por Estadão Conteúdo
  • 11/05/2016 11h05
Erica Sena

Fora da lista dos cerca de 30 nomes do atletismo beneficiados pela Bolsa Pódio, do governo federal, Erica Sena é cada vez mais candidata a salvar a modalidade nos Jogos Olímpicos do Rio. Atual líder do Circuito Mundial na Marcha Atlética 20km, ela vinha de um sexto lugar no Mundial de Atletismo no ano passado, e, no último domingo, ficou em quarto no Mundial de Marcha. Fora de todas as previsões de medalha para o Rio-2016 até pouco tempo atrás, ela não quer mudar esse status. Prefere surpreender.

“Quando se espera muito, pode gerar desilusões. Eu gosto quando não esperam muito de mim e chego lá e faço diferente”, explica a pernambucana, que não deixa de sonhar alto. “Mas vou com vontade de medalha. Estou muito perto, e é como eu sempre falo: estando lá na frente, tudo pode acontecer. Cada vez estou mais perto desse objetivo.”

Os resultados falam por si. Em 2014, Erica foi só 36.ª do ranking mundial, com 1h30min43. No ano passado, foi 25.ª, com 1h29min37. Na atual temporada, é a quarta do mundo, com o tempo de 1h27min18s que garantiu a ela um histórico quarto lugar no Mundial de Roma. Mais do que a evolução no ranking, chama atenção a melhora das marcas, todas elas recordes sul-americanos Em 25 meses, ela baixou a própria marca em mais de quatro minutos.

A explicação para essa melhora, segundo Erica, é bastante simples: “Tenho me dedicado muito. Minha vida está sendo treinar Não faço nada mais além de treinar. Deixei de estudar para poder me dedicar completamente aos treinos”, explica a educadora física, que na semana passada completou 31 anos.

Dentro dessa estratégia de se dedicar completamente à marcha atlética, ajuda bastante o fato de ela ser treinada pelo próprio marido, o equatoriano Andrés Chocho, um caso raro de atleta de altíssimo rendimento que também é treinador de altíssimo rendimento. No início de abril, eles fizeram dobradinha no Sul-Americano de Marcha. Em 2015, ele ganhou o Pan de Toronto nos 50km, enquanto Erica faturou a prata nos 20km.

Os dois se conheceram em 2010, em Cochabamba, na Bolívia. Logo engataram uma relação, que fez ela se mudar já em 2011 para Cuenca, no Equador, onde vive atualmente. O início foi duro, vivendo com os R$ 925 da Bolsa Atleta da categoria nacional.

“Eu quase não tive apoio, cheguei onde estou sozinha”, reclama Erica, que já era segunda do ranking nacional em 2011, assumiu a ponta em 2012 e nunca mais largou. “Deveria estar no Bolsa Pódio mas ainda não entrei. Acho que se esqueceram de me indicar. Só comecei a receber salário da CBAt esse ano”, lembra ela.

Agora, a chance de medalha na Olimpíada é real. Ajuda bastante a descoberta de um amplo esquema de doping na equipe russa, que fez todas as campeãs mundiais entre 2001 e 2013. Na marcha, a Rússia já ficou fora inclusive do Mundial do ano passado, que teve ouro e prata para a China. Em Roma, as chinesas faturaram ouro e bronze, se firmando como favoritas para o Rio-2016. Erica corre, ou melhor, marcha por fora.