Rafinha vê futebol brasileiro parado no tempo e rasga elogios à Bundesliga

  • Por Bruno Bataglin/Jovem Pan
  • 23/05/2015 14h38

O lateral direito Rafinha (centro) EFE Rafinha

O lateral direito Rafinha vem sendo uma peça muito importante no elenco do Bayern de Munique e, nesta temporada, o brasileiro ajudou sua equipe a chegar ao tricampeonato consecutivo do Campeonato Alemão e também à semifinal da Liga dos Campeões da Europa. Apesar da derrota para o Barcelona, que impediu que o clube bávaro chegasse à decisão continental, Rafinha vê o ano como bom para o time.

Em entrevista exclusiva concedida ao Jovem Pan Online, o lateral falou sobre a temporada do Bayern de Munique, comparou o futebol alemão com o italiano, já que passou pelo Genoa em 2010 e 2011, e ressaltou que o futebol mundial deve muito ao brasileiro, mas frisou que estamos parados no tempo.

Sobre a campanha do Bayern de Munique na Liga dos Campeões, Rafinha não fez questão de se lamentar e exaltou a consistência da equipe nos últimos anos.

“Nós, pelo quarto ano seguido, chegamos às semifinais da Liga dos Campeões, o que prova que nossa equipe é muito forte, está sempre brigando pelo título. Ano passado perdemos para o Real Madrid, que foi campeão, nas semifinais, e esse ano foi o Barcelona. Não vou dizer que fomos massacrados, porque fizemos um ótimo jogo em Barcelona e, em dez minutos nos quais cochilamos, a gente perdeu a classificação. A temporada foi boa sim. Saímos campeões alemães, conquistando o tricampeonato, e na Liga dos Campeões, tivemos um azar muito grande com lesões”, disse o jogador.

O camisa 13 do Bayern observou também que o futebol alemão está muito desenvolvido em relação a outros países europeus, entre eles a Itália.

“O futebol alemão, com todo respeito ao italiano, está muito à frente. O futebol alemão hoje acho que está só atrás da Premier League e não deixa nada a desejar para o Campeonato Inglês. Mas lá é uma liga que tem mais dinheiro e isso faz com que seja um pouco melhor do que a Bundesliga. A Bundesliga é um dos campeonatos mais competitivos da Europa e acho que o futebol alemão não tem comparação com o italiano neste momento”, falou.

Ao ser perguntado sobre o momento atual do futebol brasileiro, sobretudo depois da goleada por 7 a 1 sofrida para a Alemanha na Copa do Mundo de 2014, Rafinha pontuou que o Brasil fez muito pelo esporte no mundo, mas não escondeu que muita coisa precisa mudar atualmente.

“O futebol, hoje em dia, deve muito ao Brasil. Isso é uma coisa que nunca vai mudar, essa hegemonia ninguém vai tirar de nós. Essa é a verdade. Mas nós paramos no tempo. Hoje em dia, só com o coração e com a vontade, não ganha. Ganha jogo, mas não ganha título. Tem que ter disciplina, a dinâmica no jogo, a ordem tática”, falou. “A Alemanha se preparou, depois da Copa de 2002, desde a categoria de base até a principal, e aí conquistaram a Copa do Mundo. Bateram na trave em 2006 e 2010, mas conforme foram fazendo a reformulação, a equipe foi jogando junto e eles conquistaram em 2014. Para eles não é novidade. Fizeram o trabalho pensando a longo prazo e os efeitos estão surgindo. Quanto ao Brasil, acho que tem que continuar com a qualidade e a técnica que todo jogador brasileiro tem, mas mesclar com a disciplina tática. O jogador tem que ser mais participativo. No Brasil, hoje, a gente vê muitos jogadores que jogam só com a bola no pé. É impossível isso. O jogador tem que participar muito do jogo, correndo, marcando. O nível que a gente joga na Liga dos Campeões, por exemplo, quando chega às finais, é muito grande”, prosseguiu.

Sobre a carência de laterais no futebol brasileiro e mundial, o atleta do Bayern de Munique expressou seu ponto de vista.

“É difícil porque, hoje em dia, você pega os garotos de todo lugar, ainda mais no Brasil, e eles querem jogar do meio para frente, no meio de campo, de atacante. É difícil a molecada que está no infantil, no mirim, falar que quer ser zagueiro, que quer ser goleiro. Esses que gostam da posição são os que geralmente chegam. A molecada quer fazer gol, quer aparecer. Eles veem Cristiano Ronaldo, Messi. Querem estar perto do gol. Isso também dificulta um pouco. A molecada hoje não quer defender, eles querem só atacar. Mas acho que o Brasil está bem servido de laterais direitos. A gente torce para que apareçam mais”, analisou.

Por fim, Rafinha, que completa 30 anos de idade neste ano, admitiu que deseja encerrar sua carreira em seu país, mas disse que prefere não pensar nisso agora.

“Eu tenho 29 anos, faço 30 em setembro, e tenho contrato de mais dois anos com o Bayern de Munique. Quero jogar até quando meu corpo permitir. Quero encerrar a minha carreira no Brasil, mas quero ficar na Europa, jogando em alto nível, mais uns bons anos. Eu sinto que, fisicamente, tenho plenas condições e estou jogando em um dos melhores times do mundo. Acho que não é o momento de eu pensar até quando eu vou jogar. A única coisa que quero afirmar é que quero encerrar no Coritiba, que é o clube que me revelou”, finalizou.