Reforços, reviravoltas e título: o intenso e vitorioso 2015 do Palmeiras

  • Por Jovem Pan
  • 14/12/2015 19h18
Não faltou emoção para o Palmeiras em 2015: foram duas finais e quatro decisões por pênaltis

2015 foi um ano marcante para o Palmeiras. Depois de quase ser rebaixado no Campeonato Brasileiro de 2014, o clube viveu uma reviravolta logo no início da temporada com a chegada de dezenas de novos jogadores. Entretanto, esses reforços não trouxeram resultados imediatos, e a temporada foi recheada de emoções (foram quatro decisões nos pênaltis) que culminaram no título da Copa do Brasil.

Para relembrar a história do Verdão em 2015, assim como seus heróis e vilões, confira, abaixo, a parte alviverde da retrospectiva esportiva do Jovem Pan Online.

Um ano novo com um novo time

O quase rebaixamento de 2014 exigia uma resposta firme da diretoria palmeirense em 2015. E essa resposta veio em forma de reforços: Alexandre Mattos arregaçou as mangas e trouxe Zé Roberto, Robinho, Victor Hugo, Cleiton Xavier, Lucas, Gabriel, Arouca e muitos outros, além do badalado Dudu, então disputado a peso de ouro por Corinthians e São Paulo. Os mais de vinte novos jogadores e o “chapéu” dado nos rivais mostravam que o alviverde vinha forte para o ano novo e a torcida comprou a ideia, lotando o Allianz Parque.

Saudável financeiramente e renovado dentro de campo o Palmeiras fez boa campanha, mesmo que irregular, na primeira fase do Campeonato Paulista, com direito a vitória por 3 a 0 sobre o São Paulo e um inesquecível gol do meio de campo de Robinho em Rogério Ceni. Nas quartas de final, a equipe venceu o Botafogo-SP por 1 a 0. Nas semis, em 19 de abril, foi à Arena Corinthians enfrentar seu maior rival. Após um emocionante empate por 2 a 2 no tempo normal, a disputa nos pênaltis se encaminhava para vitória alvinegra até que Fernando Prass pegou a cobrança de Elias e, depois, de Petros. Foi o primeiro “milagre” do goleiro em 2015.

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Depois da classificação heroica, o Verdão recebeu o Santos na partida de ida da final do Paulistão. A vitória por 1 a 0 foi considerada magra, pois Dudu perdeu um pênalti e o adversário ficou com um jogador a menos por boa parte do segundo tempo. Na Vila Belmiro, o Peixe abriu 2 a 0, mas viu Lucas empatar e levar a decisão novamente para as penalidades. Desta vez, os palmeirenses levaram a pior e perderam por 4 a 2.

Troca de Oliveiras: sai Oswaldo, entra Marcelo

O Palmeiras começou o Campeonato Brasileiro de forma irregular. Apesar de vencer o Corinthians em Itaquera, tropeçava em casa e mostrava um futebol pouco “intenso”. Com o passar das semanas, as reclamações da torcida contra o técnico Oswaldo Oliveira contagiaram a diretoria, que o demitiu em 9 de junho. Paulo Nobre e Alexandre Mattos tinham uma carta na manga: Marcelo Oliveira, que fora demitido do Cruzeiro, onde havia sido bicampeão brasileiro.

Ascensão e queda rápidas

Na primeira partida sob o comando de Marcelo, o Palmeiras perdeu para o Grêmio em Porto Alegre. Depois, acumulou vitórias, entre elas uma por 4 a 0 sobre o São Paulo. A equipe jogava bem, na base do contra-ataque, e chegava a ser colocada como uma das favoritas ao título brasileiro. Isso até o dia 2 de agosto, quando, diante do Atlético-PR, foi derrotada em casa por 1 a 0 e viu o volante Gabriel, jogador importantíssimo no esquema tático, se contundir para ficar afastado pela temporada inteira. O rendimento do time caiu, e os resultados também: vieram derrotas para Coritiba, Cruzeiro e Atlético-MG, com o consequente afastamento da liderança da tabela.

O surgimento de Gabriel Jesus e a aposta na Copa do Brasil

Depois da perda de Gabriel, o Palmeiras não foi mais o mesmo na temporada e, nas últimas rodadas do Brasileirão, perdeu a chance de brigar pelo G4. Como consolo, um xará do volante passou a se destacar: promessa da base, Gabriel Jesus apareceu para o Brasil ao marcar dois gols contra o Cruzeiro no Mineirão em 26 de agosto, no jogo de volta da Copa do Brasil. O torneio eliminatório passou, aos poucos, a se tornar prioridade para o Verdão, que antes havia eliminado Vitória da Conquista, Sampaio Corrêa e ASA de Arapiraca.

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Com as duas vitórias sobre a Raposa, o alviverde se credenciou à disputa das quartas de final da Copa do Brasil contra o Internacional. O empate por 1 a 1 no Beira Rio foi considerado um bom resultado, especialmente depois que, no Allianz Parque, o time de Marcelo Oliveira abriu 2 a 0. Entretanto, o Colorado reagiu e empatou a disputa. Herói improvável, Andrei Girotto acertou bela cabeçada para dar a vitória e a classificação ao Verdão.

Diante do Fluminense, na semifinal, o Palmeiras perdeu no Maracanã por 2 a 1 e devolveu o placar na capital paulista. Fernando Prass, que já fizera milagre para evitar gol de empate de Fred, foi fundamental nas penalidades ao defender cobrança de Gustavo Scarpa. Resultado: nova classificação suada, novamente nos pênaltis, para uma nova final, novamente contra o Santos.

A consagração de “São” Prass e o ano coroado com título

O Santos jogava o melhor futebol no Brasil, junto com o Corinthians, e era amplo favorito para a final da Copa do Brasil depois de eliminar, com sobras, o próprio Corinthians e o São Paulo. No jogo de ida, na Vila Belmiro, o time treinado pelo quase rebaixado com o Palmeiras Dorival Júnior fez valer o favoritismo e venceu por 1 a 0, mas com chances de vencer por um placa mais largo, se o atacante Nilson não tivesse perdido um gol feito no último minuto de jogo.

Se o futebol do Palmeiras ainda não era convincente, a torcida parecia ter certeza do título. No dia 2 de dezembro, ela foi um dos protagonistas da final no Allianz Parque. Outro protagonista foi Dudu: mesmo não fazendo boa partida, o atacante, que fora questionado durante a temporada, fez valer o valor investido em seu passe e marcou dois gols no segundo tempo. Ricardo Oliveira, desafeto dos atletas palmeirenses, descontou na reta final. Com isso, o Verdão iria para mais uma decisão de pênaltis.

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Pela terceira vez no ano, a estrela de Fernando Prass brilhou acima de todas as outras. Depois de Marquinhos Gabriel perdeu a cobrança inaugural, o goleiro defendeu a de Gustavo Henrique e deixou o alviverde muito perto do título. Na quinta cobrança, bastava o gol para isso acontecer. E o escolhido foi justamente o goleiro. Prass, então, assumiu o papel de cobrador e, com um chute forte, de bico, balançou as redes para dar ao Palmeiras o troféu da Copa do Brasil e a vaga na Libertadores, além de dar a sim mesmo a idolatria do torcedor.

A promessa de um 2016 mais forte

A conquista apoteótica da Copa do Brasil não foi um final feliz para o Palmeiras, mas o início de uma história que pode ser ainda melhor em 2016, acredita o comentarista Mauro Beting, da Rádio Jovem Pan. “O ano de 2016 promete ser melhor do que 2015, o que não significa que o Palmeiras vai ser campeão do Paulista, do Brasileiro, da Libertadores ou tetra da Copa do Brasil. O clube está com dinheiro que não tinha no começo de 2015, uma base que não tinha, e a tranquilidade de uma grande conquista”, disse.

No entanto, para Mauro Beting, a equipe precisa ser reforçada com nomes de peso. Para eles, os já contratados Roger Carvalho, Vagner e Regis são “muita composição de elenco e nenhum que chega para ser titular. É bom pelo gigantismo do Palmeiras, pelo que pretende, ter elenco, mas precisa de jogadores mais decisivos”, completou.