Relatório do COI põe Pequim como favorita a sediar Jogos de Inverno de 2022

  • Por Agencia EFE
  • 01/06/2015 13h46

Madri/Pequim, 1 jun (EFE).- A Comissão de Avaliação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para os Jogos de Inverno de 2022 divulgou nesta segunda-feira um relatório sobre as candidaturas de Pequim e Almaty, um documento sem pontuações ou classificação, mas que reflete um certo favoritismo da proposta da capital chinesa.

A única ressalta feita a Pequim foi sobre a capacidade de cumprir o orçamento previsto de US$ 1,55 bilhão. Fora isso, os examinadores não encontraram nenhum risco em áreas consideradas essenciais como o alojamento dos atletas e o transporte.

A distância de 200 quilômetros entre Pequim e a subsede de Zhangjiakou era considerada como uma das dificuldades do projeto chinês, mas a comissão avalia que esse não será um problema por causa do trem de alta velocidade que liga as duas regiões.

O COI, no entanto, fez algumas objeções. Uma delas é “dependência substancial” da neve artificial em parte dos locais de prova, por suas implicações estéticas e ambientais.

A poluição do ar, o uso de reservas de água para produzir a neve falsa e certos riscos para o Parque Songshan por causa da proximidade das sedes de bobsled são alguns dos problemas apontados pelos examinadores.

Outro ponto questionado, mas não considerado como risco, é a necessidade de realojar milhares de pessoas para construir a Vila Olímpica e as instalações de saltos em Zhangjiakou.

“Pequim quer incorporar os esportes de inverno à vida de sua população, com o objetivo de melhorar suas condições de saúde. Desenvolveu um conceito regional destinado a desenvolver um mercado de mais de 300 milhões de pessoas no norte da China. Essa visão está de pleno acordo com as estratégias e as propriedades nacionais de crescimento”, explicou o COI em comunicado divulgado hoje.

Sobre Almaty, o relatório da comissão destaca o “baixo impacto sobre o meio ambiente” e ressalta que 10 sedes já estão prontas ou em construção, com uma distância muito menor entre as instalações e a Vila Olímpica se comparada à candidatura de Pequim.

A cidade do Cazaquistão desfrutaria depois do evento de “um legado muito reutilizável”, com instalações que seriam bem aproveitadas pela população local.

Entre os problemas observados pelo COI na candidatura cazaque está a dificuldade de obter alguns terrenos necessários para a melhoria de infraestruturas. Por causa disso, a pista de bobslead, por exemplo, ficaria pronta faltando apenas 16 meses para os Jogos, o que dificultaria sua homologação.

O orçamento de US$ 1,75 bilhão também “apresenta riscos” derivados do planejamento e de incertezas relacionadas ao patrocínio e a venda de ingressos.

Além disso, não foram apresentadas garantias sobre preços ou hotéis. Seria necessário construir 11 mil novos quartos na cidade, algo considerado como um risco muito grande, conforme o relatório.

O projeto de Almaty, avalia o COI, “se baseia no desejo de acelerar as reformas econômicas e sociais, melhoras as instalações de esportes de inverno no país, além de mostrar os aspectos positivos do Almaty e Cazaquistão”.

“Essa visão está alinhada com a estratégia Cazaquistão 2050. O conceito de Almaty procura deixar um legado em três áreas: esporte e atividade física, instalações e infraestrutura e crescimento econômico”, disse o COI no documento.

A divulgação do relatório foi recebida com otimismo em Pequim, apesar de as autoridades locais reconhecerem que precisam melhorar o projeto antes da apresentação definitiva ao COI.

“Estamos comprometidos a revisar qualquer área na qual possamos fazer melhorias adicionais. Foi um grande respaldo para nossa candidatura o fato de o COI elogiar nosso trabalho em áreas que consideramos centrais, como a preocupação com os atletas, a sustentabilidade e a eficácia nos custos”, destacou o prefeito de Pequim, Wang Anshun.

As duas cidades apresentarão suas propostas à assembleia do COI nos dias 9 e 10 de junho, em Lausanne, na Suíça. Já a escolha da sede dos Jogos Olímpicos de 2022 ocorrerá em Kuala Lumpur, no próximo dia 31 de julho. EFE