Rivellino critica futebol brasileiro e diz que Dunga na Seleção é “política”

  • Por Nilson César
  • 18/08/2014 14h02
Rivellino é mais um campeão brasileiro presente em evento de patrocinadora da Copa

Roberto Rivellino é um dos maiores meias da história do futebol e da Seleção Brasileira. Habilidoso e com uma canhota potente, o ex-jogador conseguiu o título da Copa do Mundo de 1970. Em entrevista à rádio Jovem Pan, o “Reizinho do Parque”, como era conhecido na época que jogou no Corinthians, criticou o nível do futebol brasileiro e cobrou uma maior atenção com as categorias de base dos clubes. Além disso, o ex-meia acredita que a volta de Dunga a Seleção foi por questões políticas.

“Isso foi uma convocação política. Teve um interesse porque tinha que pegar duas pessoas que caíram de paraquedas , nada contra o Dunga e o Gilmar, mas quem imaginou o Gilmar responsável pela Seleção Brasileira? De repente vem o Dunga de volta, nada contra o seu trabalho, que foi não foi tão ruim. O que esperamos no futebol brasileiro é uma reformulação e não três vitórias em amistosos”, afirmou Rivellino.

Citando a si mesmo e a Zico como meninos formados nas categorias de base, Riva não vê com bons olhos o trabalho nas categorias de base hoje em dia. Segundo ele, apenas o Santos ainda consegue fazer com que o “raio caia duas vezes no mesmo lugar” e criticou duramente o método de seleção de talentos, que prioriza a força física em detrimento da habilidade.

“A categoria de base está abandonada. Jogadores como eu e Zico nasceram na base. Infelizmente só um clube que faz um trabalho onde o raio cai duas vezes, que é o Santos. Você não vê o Corinthians desenvolver um jogador, o São Paulo não consegue fazer um lateral onde falam que a base e os alojamentos são o melhor do Brasil. Infelizmente é o que nós vemos depois daquela vergonha na Copa do Mundo e que vai ficar marcado para o resto da vida”, lamentou.

O artilheiro cobrou um desenvolvimento mais para a parte tática ofensiva no futebol brasileiro, que de acordo com ele perdeu a sua essência.

“Hoje o papo é só marcação, ninguém fala em criação, tanto é que o Brasil não tinha um só jogador criativo, era uma pobreza enorme. Hoje, se você analisar, o que estamos exportando é meio campo e defesa. Você não vê atacante indo para fora. Fazer zagueiros e volantes é fácil, faz de manhã, de tarde e de noite. Eu quero ver fazer o meio campo para frente, o centroavante, o ponta, o meia como na nossa época”, completou.