Romário ‘cutuca’ Pelé por apoio a Blatter e vê “obrigação” sua em caçar corruptos

  • Por Jovem Pan
  • 02/06/2015 17h37
Instagram/Reprodução Romário faz dura oposição aos dirigentes da CBF

Autor do pedido da CPI do Futebol, o senador Romário concedeu entrevista exclusiva à Rádio Jovem Pan, nesta terça-feira (2), após o anúncio da renúncia de Joseph Blatter ao cargo de presidente da Fifa e o parlamentar falou sobre os casos de corrupção dentro do esporte mais popular do Brasil e do mundo.

O tetracampeão mundial com a Seleção Brasileira expressou seu desejo de ser o relator da CPI que pretende investigar a fundo o futebol nacional.

“O momento do futebol é de mudança e de moralização. Estou atrás disso há três anos. Essa (CPI) vai ser instalada acho que já na próxima semana. Se outras CPIs não deram certo, eu não posso afirmar o motivo. Mas o que eu posso afirmar é que tenho pedido para ser o relator dessa CPI, porque acho que tenho legitimidade para isso. Tudo aquilo que a gente for apurar, se eu for o relator, vocês podem ter certeza absoluta, tudo estará lá no meu relatório. Quando eu colhi essas assinaturas, em uma hora e 20 minutos, dos 56 senadores que estavam na casa, 54 assinaram. Estou bastante entusiasmado. Principalmente sabendo da ajuda do Ministério Público, da Polícia Federal, da Procuradoria Geral, da Casa Civil e do Ministério da Justiça. Em comum acordo, vamos pedir várias informações para a gente começar a ver por onde vai começar a realização dessa CPI”, afirmou.

“O mais importante é que as pessoas entendam que o nome da CPI é CPI do Futebol. Algumas pessoas acham que é CPI da CBF. O futebol é generalizado. A gente vai trazer aqui o maior número de pessoas possível. É claro que a CBF vai vir aqui, é claro que as federações, os times, empresas que fizeram contrato, televisões virão aqui. Nossa parte é apurar tudo aquilo que a gente entende que seja errado. As acusações terão, não só da minha parte, como da parte dos outros senadores. Aqueles que não tiverem culpa, parabéns. Aqueles que forem culpados, incriminados, que passem alguns anos na cadeia, porque serão merecedores”, prosseguiu o político.

“O que eu estou fazendo é mais do que a minha obrigação. Neste momento, é exatamente no futebol, onde eu vivi por quase 40 anos. Alguma experiência eu tenho. A gente tem que tentar, de uma forma ou de outra, moralizar isso”.

Sobre a investigação de corrupção dentro da Fifa, Romário disse que está vendo um efeito cascata e que Ricardo Teixeira não vai ficar fora da ‘confusão’.

“O próprio FBI citou no seu pronunciamento que essa ação vem já de sete anos. Tem todas as confederações e muitas federações envolvidas neste caso. Fifa, CBF, Concacaf, Uefa, Conmebol e outras por aí. Essas nossas federações, essas empresas que fizeram contrato, muitas delas têm até um valor por fora maior. Os contratos estranhos que a CBF fazia nos últimos anos com empresas para que elas pudessem fazer propaganda. Creio que tudo isso vai entrar em uma investigação do FBI e das polícias de determinados países. Acredito que isso seja um efeito cascata. Agora acabou aquilo que a CBF é uma empresa privada e não pode ser tocada. Claro que pode! Está cometendo evasão de divisas, outros crimes contra o nosso sistema financeiro. A CBF está sendo vigiada e tenho certeza que vão encontrar muitas coisas. O Ricardo Teixeira, como representante maior dessa entidade nos últimos anos, não pode ficar fora disso”, afirmou.

Em relação à ideia de criação de uma liga nacional no Brasil, Romário disse que os clubes precisam se unir e observou que a CBF caiu em descrédito.

“Eu reuniria, no mínimo, os 20 clubes da Série A, tentaria fazer uma reunião diretamente com a Fifa, e passar para a Fifa o momento crítico que estamos vivendo através da nossa maior entidade, que é a CBF. Quem sabe a Fifa não se comova com isso e dê a possibilidade desses clubes abrirem uma liga sem a intervenção da CBF e, então, a gente teria tempo suficiente para moralizar a CBF e o futebol não pararia”, opinou.

“A CBF, como autoridade máxima do nosso futebol, caiu totalmente em descrédito. Até as grandes marcas que se associaram estão deixando de lado, porque entenderam que lá vivem pessoas que não têm compromisso com o futebol, com a base do futebol, com o futebol feminino, não têm compromisso em investir nas Séries C e D. Eles têm compromisso de enriquecer ilicitamente. Não sei quanto tempo que vai demorar, mas eles vão pagar pelo que devem”, falou o parlamentar.

Por fim, Romário, ao ser questionado sobre as declarações de apoio à reeleição de Joseph Blatter feitas por Pelé, deu outra ‘cutucada’ forte no Rei do Futebol, mas preferiu não polemizar demais.

“Existem algumas coisas que a gente não consegue entender o motivo. O Pelé, mais uma vez, está indo 100% na contramão do que o mundo do futebol quer. Tanto que esse que ele defendeu pediu para sair horas atrás. O Blatter, este presidente que o Pelé disse que era o ideal, não está mais na Fifa. Mais uma vez, vou respeitar o Pelé, e vou repetir: tenho a ideia de convidar para uma conversa aqui, no momento que foi instalada essa CPI, alguns jogadores de determinadas gerações. Agora é o momento de a gente sentar, o futebol deu tanta coisa para nós, e temos a obrigação de tentar juntos reverter todo o mal que está acontecendo”, finalizou Romário.