Semana eleitoral no COI: Pequim e Almaty brigam para sediar Jogos de Inverno

  • Por Agencia EFE
  • 27/07/2015 18h11

Redação Central, 27 jul (EFE).- Os 100 integrantes do Comitê Olímpico Internacional (COI) que têm o poder de conceder a uma cidade a organização de uma edição dos Jogos Olímpicos viajarão nesta semana a Kuala Lumpur para, depois das últimas análises, escolher na sexta-feira entre Pequim e Almaty qual será a sede dos Jogos de Inverno de 2022.

É uma disputa incomum, pois desde a eleição de 1980 não restavam na semana final apenas duas candidatas. Mas o passo atrás dado por outras aspirantes como Oslo (Noruega), Cracóvia (Polônia) e Lviv (Ucrânia) e, em fase mais prematura, Estocolmo, Munique e Barcelona, deixou isolados os projetos chinês e cazaque.

Também na sexta-feira será conhecida a sede dos Jogos de Inverno da Juventude de 2020, para atletas de 14 a 18 anos, e também restando duas opções: Lausanne (Suíça), aparentemente favorita, e Brasov (Romênia).

Na disputa principal, Pequim é a candidata mais forte por uma questão alheia à qualidade do projeto. A China é um país com peso no COI, sabe em que portas bater para obter votos, e sua capacidade de fazer lobby é muito maior que a do Cazaquistão, praticamente novato na estratégia olímpica, apesar da candidatura de 2014, também com Almaty.

Se vencer, Pequim se tornará a primeira cidade a ser sede tanto dos Jogos Olímpicos de verão (os organizou em 2008) quanto de inverno. O precedente de sete anos atrás dá pontos à capital chinesa, cuja capacidade organizativa foi conferida de perto na ocasião pela maioria dos que votarão na próxima sexta.

Os integrantes do COI voltam a ter diante de si um dilema clássico em Jogos de Inverno: escolher entre uma grande cidade que abrigaria as provas de gelo e que teria que levar as de neve a uma montanha distante – caso de Pequim – ou voltar às origens dos Jogos, em uma cidade situada ao pé da montanha, com a neve garantida e todas as instalações em um raio reduzido, proposta de Almaty.

A provável necessidade que a representante chinesa teria de recorrer à neve artificial, com as derivadas econômicas, ambientais e de imagem que acarreta, é um dos principais inconvenientes dessa candidatura. Outro é a distância de 200 quilômetros entre a sede principal e a subsede de montanha, Zhanjiakou, que seria percorrida por um trem de alta velocidade.

Por outro lado, a Comissão de Avaliação do COI que visitou as duas cidades no começo do ano pôs Pequim como exemplo em aspectos fundamentais, como alojamento e transporte, e também considerou que seu orçamento de US$ 1,558 bilhão apresentava baixo risco quanto à execução.

Já o cálculo de US$ 1,752 bilhão feito por Almaty oferece alguns riscos derivados do planejamento e de incertezas relacionadas com o patrocínio e a venda de ingressos, segundo os avaliadores. Faltam, além disso, garantias sobre preços ou reserva de hospedagem, e seria preciso construir 11 mil novos quartos.

Mas a candidatura cazaque oferece um mapa de instalações compacto, com trajetos curtos entre as sedes esportivas e a Vila Olímpica. Almaty desfrutaria depois dos Jogos de um legado bastante considerável, com instalações que seriam bem aproveitadas pela população.

A Comissão Executiva do COI, com o presidente Thomas Bach à frente, começará suas reuniões em Kuala Lumpur nesta terça. A 128ª assembleia será aberta na sexta com as eleições e será prolongada até a segunda-feira com o debate de vários assuntos centrados no começo das reformas aprovadas em dezembro de 2014, na chamada Agenda 2020. EFE