Sempre dá! Veja 8 lições que times podem aprender com Leicester para o Brasileirão

  • Por Jovem Pan
  • 11/05/2016 12h34

Leicester não foi só o campeão inglês de 2015/16. Ele foi o protagonista do maior feito da história do futebol

EFE Leicester não foi só o campeão inglês de 2015/16. Ele foi o protagonista do maior feito da história do futebol

O feito do Leicester, pequenino clube inglês que se livrou do rebaixamento em um ano para conquistar o inédito título nacional na temporada seguinte, não pode ser esquecido. Os Foxes protagonizaram a maior surpresa da história do futebol mundial e, sem dúvidas, deixaram inúmeras lições para o esporte. 

Como o Campeonato Brasileiro começa neste fim de semana, o Jovem Pan Online resolveu separar oito destes ensinamentos. O que os 20 clubes que vão disputar a principal competição do futebol nacional podem aprender com o modesto Leicester? O time inglês, afinal, fez história em um campeonato disputado nos mesmos moldes do Brasileirão. 

Veja abaixo: 

Zebras não se restringem a mata-matas 

O Leicester provou que um time pequeno pode, sim, fazer estragos em uma competição de pontos corridos. Embora uma surpresa seja menos provável em campeonatos deste tipo, não se pode duvidar de nada. Se, desde 2003, o Brasileirão não conta com partidas eliminatórias, que aumentam as chances de uma equipe modesta superar favoritos, o segredo é ter regularidade. Tão importante quanto contar com bons jogadores é saber que os compromissos das primeiras rodadas valem os mesmos pontos que os das últimas. É muito difícil surpreender em 38 jogos? Sem dúvidas. Mas não impossível. E isto vale para clubes gigantes ou pequeninos.

Dinheiro? Que nada 

Muito se fala sobre a desigual divisão de cotas televisivas entre os 20 clubes do futebol brasileiro. Flamengo e Corinthians, por exemplo, ganham muito mais dinheiro do que os rivais pela venda dos direitos de transmissão da Série A. Isso influencia na competição? Certamente. Mas não a decide. O Leicester, por exemplo, começou a temporada com o quarto menor orçamento da Premier League – superior apenas aos dos três times que subiram da segunda para a primeira divisão. Mesmo assim, foi gigante dentro de campo e provou que, mais do que dinheiro, o que importa para um time é trabalho, suor e disposição.

Metas curtas: uma boa forma de se trabalhar 

O Campeonato Brasileiro dura 38 rodadas e é disputado em quase sete meses. Em uma competição tão longa como esta, a melhor forma de se trabalhar é com o cumprimento de metas curtas, geralmente traçadas pela comissão técnica. Começar a Série A já pensando no seu final pode ser um grande erro. Sabe a história de dar um passo de cada vez? Então… este costuma ser o melhor caminho.  

O Leicester, por exemplo, iniciou o Campeonato Inglês com o objetivo de somar o maior número de pontos nas dez primeiras rodadas – período no qual os grandes clubes ainda não costumam estar tão focados. Depois, traçou como meta chegar aos 40 pontos, número que considerou ser suficiente para não ser rebaixado. No meio do caminho, trabalhou com o objetivo de passar algumas partidas sem sofrer gols e, antes de pensar no título, ainda se preocupou em se classificar para a Liga dos Campeões da Europa. Deu certo, e o time terminou a temporada como campeão nacional.

Entrosamento, disciplina e base 

“O segredo para se ganhar campeonatos de pontos corridos é o elenco. Ele precisa ser bom e ter muitas opções“. A frase anterior é bastante comum. Mas não necessariamente 100% verdadeira. Até aqui, em 37 rodadas, o Leicester usou apenas 23 jogadores em toda a Premier League – número extremamente baixo e quase inimaginável para clubes brasileiros, que, muitas vezes, trabalham com mais de 30 atletas em uma competição. 

Durante o Campeonato Inglês, o Leicester rodou pouco o elenco. Foram apenas 27 alterações na formação inicial em 37 rodadas, o que quer dizer que a equipe titular quase sempre foi a mesma durante a campanha do título. O exemplo mais impressionante é o volante Kanté. “Motorzinho” do time, o volante participou de 36 dos 37 jogos do Leicester até aqui. O técnico Cláudio Ranieri se preocupou, então, em definir uma base bastante sólida para a equipe titular. O entrosamento e a disciplina, portanto, podem, por que não, decidir uma competição longa e que premia tanto a regularidade quanto as ligas nacionais.

Um goleador vai bem, obrigado! 

Mais de um terço dos 67 gols marcados pelo Leicester até a 37ª rodada do Campeonato Inglês foram anotados por Jamie Vardy. O atacante balançou as redes simplesmente 24 vezes na competição nacional e foi a principal arma ofensiva do time durante a competição. Ele pode não terminar a Premier League no topo da lista de artilheiros, hoje ocupada por Harry Kane, do Tottenham, mas tirou o Leicester do sufoco em muitos momentos ao longo da espetacular campanha no Campeonato Inglês – foram 12 gols de abertura de placar ao longo da competição 

Às vezes, mais importante do que ter um elenco recheado de boas opções, é fundamental contar com um atacante matador, capaz de decidir jogos e carregar uma equipe limitada. Quando ele tem a companhia de um meia como Ryad Mahrez, que foi eleito o melhor jogador do campeonato e anotou 17 gols, é melhor ainda.

Defesa, defesa e defesa 

Certa vez, Phil Jackson, técnico 11 vezes campeão da NBA, disse a seguinte frase: “ataques ganham jogos, defesas ganham campeonatos”. O Leicester parece ter seguido à risca esta tese. O time abriu mão da posse de bola e praticamente jogou a Premier League com uma muralha à frente de sua área, tamanha foi a compactação de suas sempre organizadas linhas defensivas. 

Kanté foi um volante e tanto e não à toa liderou o campeonato em desarmes, Morgan e Huth fizeram bom trabalho no miolo de zaga, e Schmeichel consagrou-se como um dos melhores goleiros da competição. Somado a isto, atacantes e meio-campistas ajudaram o quanto puderam no primeiro terço do campo durante as partidas. A força da retaguarda, sem dúvida, foi a principal responsável pelo espetacular título do Leicester. Bons times começam com boas defesas.

Nada como jogar em casa 

O Leicester conseguiu resultados fabulosos longe de seus domínios, é verdade, mas não é exagero dizer que conquistou o título inglês muito por causa da sua consistência dentro de casa. No King Power Stadium, os Foxes somaram 73% dos pontos disputados, com 12 vitórias e somente uma derrota em 19 jogos. 

Adversários como Chelsea, Liverpool, Manchester United, Manchester City, Tottenham e Everton não conseguiram triunfar no estádio do Leicester, que estabeleceu linda sincronia com a torcida para faturar a Premier League pela primeira vez na história. Apenas o Arsenal foi capaz de bater os Foxes fora de casaUm time que pretende ser campeão nacional, definitivamente, não pode perder pontos bestas como mandante.

Técnico não precisa ter nome 

Até chegar ao Leicester, no início da temporada, Claudio Ranieri era considerado o “pior” entre os técnicos mais famosos do mundo. O italiano tinha o status de superestimado e, para muitos, estava em fim de carreira. Afinal, havia passado por clubes gigantes, como Chelsea, Inter de Milão, Roma, Atlético de Madrid e Juventus, e nunca tinha conquistado títulos nacionais. Sua contratação pelos Foxes foi criticada por imprensa e torcida.  

No final, contudoRanieri calou críticos e faturou a inédita taça da Premier League. O comandante italiano foi a última das lições dadas pelo Leicester. Um técnico não precisa ter nome, fama ou algo do tipo, e sim competência e vontade de trabalhar. Ranieri definiu uma filosofia bem clara para o Leicester, convenceu os jogadores de que ela daria certo e foi recompensado. Mais um exemplo que pode seguido pelo futebol brasileiro.