Sheik detona diretoria do Botafogo e defende protestos: “ninguém é idiota”

  • Por Jovem Pan
  • 02/08/2014 11h26
SÃO JOSÉ DOS RIO PRETO, SP - 28.05.2014: BRASILEIRO/PALMEIRAS x BOTAFOGO - Wendel e Emerson em lance - Partida entre Palmeiras e Botafogo, válida pela 8ª rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol 2014, realizada no estádio Paulo Constantino (Prudentão), no interior de São Paulo, nesta quarta-feira. (Foto: Celio Messias/Folhapress) Folhapress Emerson Sheik e Lúcio discutem durante jogo entre Palmeiras e Botafogo

A situação realmente é de crise profunda no Botafogo. Não bastasse o clube estar na zona do rebaixamento do Campeonato Brasileiro, também deve pelo menos três meses de salários aos jogadores. Em entrevista ao jornal carioca Extra, o atacante Emerson Sheik não segurou as críticas contra a diretoria, e ainda defendeu a possibilidade de um jogador romper o seu contrato na Justiça.

“Quando cheguei aqui, fui muito bem recebido. Não tenho nada a dizer. Mas com o passar do tempo, vi situações que não alegram, não trazem benefício, não agregam. Vi promessas não cumpridas. Datas, prazos e nada por salários. No dia acertado, todos ficam esperançosos. Depois, no dia, vem a desilusão. Isso cansa. Ninguém é babaca. Ninguém é idiota. Sou a favor da verdade. Quem vende sonho é padaria. O atleta quer verdade”, disparou o jogador.

A questão dos salários é tão grave que os jogadores do Botafogo entram no clássico contra o Flamengo com uma faixa de protesto. “Estamos aqui porque somos profissionais e por vocês torcedores”, destacava a faixa, que ainda afirmava que os salários não eram pagos a três meses e os direitos de imagem a cinco.

Emerson não passa por essa situação, já que recebe salários do Corinthians, mas diz que a crise está afetando profundamente o clima do clube. Além disso, não escondeu: há o risco de acontecer uma debandada de jogadores pelas mãos da Justiça.

“Cheguei ao clube na terça e estava um silêncio no vestiário. Pensei que fazia parte por causa da derrota para o Flamengo. Aí, cheguei na quarta e a mesma coisa. Comecei a não entender. Futebol não te dá muito tempo para chorar. Aí, eu liguei a minha caixa de som pensando que ia dar uma animada. Um jogador chegou perto, no meu ouvido… E, baixinho, disse: ‘Emerson, que bom que você chegou com essa energia toda. Eu não estou triste com a derrota para o Flamengo, mas porque a diretora do colégio me ligou para dizer que mais um mês da mensalidade venceu. E eu não sei mais o que falar’, contou o jogador.

“Doa a quem doer, tem que ser sincero. Falar a verdade. Eu, muitas vezes, me prejudiquei na carreira por falar o que penso. Se a lei me dá o direito, não vou mentir. Eu, Emerson, com família, mulher, filhos, sairia. Tenho família, contas a pagar. Mas olha bem: não fico induzindo a ficar ou sair. Isso é muito pessoal. Não posso dar minha opinião. Cada um tem sua própria vida”, ameaçou Sheik.