Sotomayor atribui problemas de doping a complô de origem desconhecida

  • Por Agencia EFE
  • 24/03/2014 16h43

"Nunca consumi nada" EFE Sotomayor atribui problemas de doping a complô de origem desconhecida

O saltador cubano Javier Sotomayor, detentor de um dos recordes mais antigos do atletismo, atribui os problemas de doping que teve a um complô de origem desconhecida e garante taxativamente que nunca consumiu nada para melhorar seu rendimento.

“Não posso dizer quem pode ser o culpado, nem os motivos, porque não há nada comprovado. O que posso assegurar é que não consumi nada (proibido). Ocorreram milhares de fatos e demonstramos à IAAF que houve irregularidades, e por isso me permitiram competir nos Jogos de Sydney (2000)”, declarou à Agência Efe nesta segunda-feira.

Sotomayor foi suspenso por dois anos após testar positivo para cocaína nos Pan-Americanos de Winnipeg (Canadá), em 1999, embora a Federação Internacional de Atletismo (IAAF), “por sua excepcional carreira” e pelos vários controles que tinha passado sem problemas, tenha reduzido a sanção à metade a fim de que pudesse competir nos Jogos de Sydney 2000.

O médico da delegação cubana, Mario Granda, falou então de manipulação e alegou que Sotomayor tinha tomado chá de coca para amenizar uma dor de estômago.

“Nunca consumi nada. Também não necessitava para saltar 2,30 em Winnipeg, uma altura que tinha saltado mais de 300 vezes. Foi divulgada ao mundo uma substância (cocaína) e uma quantidade dessa substância que, se tivesse sido consumida, não só teria me impedido totalmente de saltar, mas inclusive de seguir vivo”, ressaltou.

“Fizeram a contraprova, que não mostrou nada, e nossa decisão foi aceitar uma terceira prova, mesmo que isso não estivesse previsto no regulamento”, contou.

“Na terceira não foi feito o processo de selagem por indução (que torna uma embalagem inviolável) e nos disseram que tínhamos que sair quatro horas porque era a hora do almoço. Mais tarde saíram os resultados que eles quiseram que saíssem, mas se nós, com todo direito, não aceitássemos fazer a terceira prova, não teria acontecido nada”, explicou.

Sotomayor testou positivo em um segundo doping no Meeting de Tenerife em 2001. “Naquela competição, fez-se por sorteio um só controle e eu fui sorteado. Me avisaram do resultado quando já estava aposentado. Complô? Outra coisa não pode ser, mas não sei de onde partiu”, concluiu o cubano, campeão do salto em altura nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992.