Temendo intervenção na CBB, federações levam plano de reestruturação à Fiba

  • Por Estadão Conteúdo
  • 21/11/2016 11h15
Rio de Janeiro - Basquete masculino do Brasil é derrotado pela Lituânia por 76 a 82 na estréia nos Jogos Olímpicos Rio 2016, na Arena Carioca, no Parque Olímpico. (Fernando Frazão/Agência Brasil)O Fiba lamenta a situação do basquete brasileiro poucos meses depois dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Dezesseis das 27 federações ligadas à Confederação Brasileira de Basquete (CBB), mais a associação dos atletas, a ANAPB, que também tem direto a voto, enviaram uma carta à Federação Internacional de Basquete (Fiba) apresentando um “plano de reestruturação” da CBB. O intuito é mostrar à entidade máxima da modalidade que as próprias federações podem gerir a confederação a partir do ano que vem.

Nos bastidores, discute-se que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) intervenha na CBB, como já fez com a extinta Confederação Brasileira de Vela e Motor (CBVM), em 2008. O desfecho daquela história, aliás, foi a criação de uma nova entidade gestora da vela no País, a CBVela, liderada principalmente por ex-atletas.

Agora, as federações indicam que não querem perder o comando da CBB – foram elas que elegeram e reelegeram Carlos Nunes, afinal. A carta à Fiba é assinada por Amarildo Rosa, presidente da federação do Paraná, e Ênio Guimarães, de Pernambuco, respectivamente candidatos de oposição a presidente e vice da CBB. Com o apoio formal de 17 dos 28 eleitores, eles caminham para vencer a eleição a ser realizada no primeiro trimestre do ano que vem.

“Diante da inconformidade em relação ao rumo que a modalidade tem tomado nos últimos anos, iniciamos neste ano de 2016 a formação de um grupo de presidentes de Federações e realizamos reuniões em todas as regiões do Brasil para discutir e conhecer os desafios, necessidades e expectativas regionais e nacionais, com o objetivo de fundamentar o planejamento e a organização das ações que o grupo pretende concretizar a partir de 2017”, diz a carta enviada aos principais dirigente da Fiba.

Após a federação internacional suspender a CBB e os clubes brasileiros de competições internacionais, os dirigentes estaduais se apresentam à entidade como um grupo que “tem trabalhado para melhorar o futuro da modalidade no País, através de planejamento, estreitando relacionamentos na esfera governamental e em busca de possíveis patrocinadores para poder executar este plano na próxima gestão”.

Apesar do rombo financeiro na CBB, as federações aprovaram as contas de Carlos Nunes de 2015, este ano, sem nenhum voto contrário. Rompido com a direção da CBB desde 2013, Amarildo tem se abstido de aprovar as contas da entidade. Este ano, porém, votou favoravelmente.