Atletas septuagenários, símbolo próprio e medalhas com guizo: as curiosidades dos Jogos Paralímpicos

Competição que reúne os melhores atletas com deficiências começa nesta terça-feira e termina no próximo dia 5

  • Por Jovem Pan
  • 24/08/2021 11h00
Reprodução/ Instagram @paralympicsBasquete de cadeira de rodas é um dos esportes das Paralimpíadas

A 16ª edição dos Jogos Paralímpicos, em Tóquio, no Japão, começa nesta terça-feira, 24. A competição reúne os melhores atletas com deficiências do mundo em uma disputa de 12 dias que mantém o espírito olímpico em alta. Esta edição tem tudo para ser especial para o Brasil. Com uma delegação de 434 pessoas (260 atletas além de comissão técnica, médicos e serviço administrativo), o país busca superar o número de medalhas da Rio 2016 (obteve 72) e se manter entre as dez maiores potências. Há a esperança de melhorar a melhor posição brasileira na história, um sétimo lugar em Londres-2012. Para entrar no clima das Paralimpíadas, a Jovem Pan Online separou algumas curiosidades sobre a competição. Confira abaixo:

Ano de fundação

Em 1943, o médico alemão Ludwig Guttmann foi designado para a região de Stoke Mandeville, na Inglaterra, a fim de atender militares feridos da Segunda Guerra Mundial. Como forma de reabilitá-los, Guttmann criou uma filosofia que unia esporte e trabalho. Entre as modalidades usadas no tratamento, estavam basquete, tiro com arco, bilhar e dardos. Em 1948, ele promoveu um evento com os militares na cidade, e essa competição foi ganhando mais adeptos com o passar dos anos. O crescimento foi tão acentuado que, em 1960, aconteceu a primeira edição dos Jogos Paralímpicos, em Roma, na Itália. Em 1988 a competição começou a ser disputada na mesma cidade que as Olimpíadas e, no ano seguinte, foi criado o Comitê Paralímpico Internacional, que é independente do COI. O programa oficial dos Jogos Paralímpicos tem 27 modalidades diferentes, que mudam de acordo com a edição.

Entrada do Brasil nas Paralimpíadas

O esporte paralímpico começou no Brasil na década de 1950, graças ao paraplégico Robson de Almeida Sampaio. Ele fundou um clube no Rio de Janeiro, enquanto Sergio Delgrande abriu um em São Paulo. Os dois times se enfrentaram em um jogo de basquete em cadeira de rodas, em 1959, e a partir daí começaram as competições. A primeira vez que o Brasil enviou uma delegação aos Jogos foi em 1972.

Símbolos e lema próprio

O símbolo das Olimpíadas são os famosos cinco anéis de cores diferentes, que representam cada continente. Na Paralimpíada, o símbolo é o “Agitos”, que em latim significa “me movimento”. Ele é um desenho assimétrico de três arcos nas cores vermelho, verde e azul, que representam o lema “espírito em movimento”.

símbolo da Paralimpíada

Agitos, o símbolo dos Jogos Paralímpicos

Longevidade de atletas

É comum que os atletas paralímpicos tenham uma longevidade maior do que os olímpicos, podendo ultrapassar os 70 anos. Uma das razões para isso é que um atleta escolhe um esporte como programa de reabilitação ou depois de sofrer algum acidente e, por isso, eles podem chegar ao máximo de seu desempenho com idades mais avançadas. Porém, é um grupo menor do que o de atletas olímpicos porque têm menores oportunidades. Em Tóquio, a representante mais velha do Brasil será Elizabeth Gomes, 56 anos, do lançamento de disco na classe F52. Dona de 14 recordes mundiais e ouro nos Jogos Parapan-Americanos de 2019, Beth é promessa de medalha também no Japão.

Categorias diferenciadas dentro de cada esporte

Para que a competição seja honesta, os atletas enfrentam quem tem o mesmo tipo de deficiência. Por isso os esportes geralmente são divididos em classes. Na natação, por exemplo, são 14 classes, que vão de S1 a S10, subdivididas por lesões medulares, paralisia cerebral, prejuízo de pólio, nanismo, amputações ou outras limitações (o nível 10 é o de menos limitações). S11 e S13 são de atletas com problemas visuais, e a S14, a dos que possuem deficiência intelectual.

Paratletas são submetidos a doping igual a atletas olímpicos

Assim como os atleta que estiveram antes em Tóquio são submetidos a testes antidoping antes das competições, os paralímpicos também seguem este protocolo. Caso seja necessário tomar remédios para dor ou algum tratamento específico, o pedido é analisado individualmente pelo comitê médico, assim como nas Olimpíadas.

Inclusão inédita na Rio 2016

Na edição da Paralimpíada Rio 2016, os atletas com deficiência visual receberam medalhas com guizos pela primeira vez na história. O som era diferente para cada cor (ouro, prata ou bronze), para facilitar a identificação. Na Tóquio 2020, cada medalha terá recortes circulares distintos na lateral. Um recorte para ouro, dois recortes para a prata e três recortes para o bronze. Além disso, estará escrito em braille “Tóquio 2020” em cada medalha. Na categoria do atletismo, os esportistas com deficiência visual competem com apoio dos guias, que são atletas que enxergam. Eles também têm o direito de subir ao pódio e ganhar medalhas. Justo, não é?