Urbanista critica infraestrutura da Vila Madalena para Copa e propõe soluções

  • Por Jovem Pan
  • 02/07/2014 17h24

Torcedores vêm se reunindo na Vila Madalena e estão causando transtornos no bairro

Grande quantidade de torcedores na Vila Madalena durante a Copa

A Vila Madalena tornou-se um dos principais pontos de encontro em São Paulo durante a Copa do Mundo. Lá, brasileiros e turistas se reúnem para assistirem os jogos, comemorar e frequentar os inúmeros bares da região. Porém, em meio a toda essa celebração, muitos transtornos estão sendo causados, inclusive para moradores do bairro.

Em entrevista concedida à Rádio Jovem Pan, Pedro Py, engenheiro urbanista e membro do Movimento Defensa São Paulo, falou um pouco sobre os problemas envolvendo a região e propôs algumas soluções.

Para ele, a Vila Madalena está longe de ter infraestrutura necessária para comportar uma aglomeração tão grande de gente.

“Acredito que a região da Vila Madalena é um local de reunião de pessoas, de alegria, de pessoas que estão passando momentos agradáveis, comendo e bebendo, mas em uma quantidade de pessoas adequada àquele local”, disse. “Quando nós temos, por exemplo, no Vale do Anhangabaú a Fan Fest, que está com cerca de 30, 40 mil pessoas a cada jogo, a gente nota que os problemas são bem menores. Primeiro porque o ambiente foi preparado e, segundo, porque o ambiente é amplo, arejado, largo, e tem condições de receber uma grande quantidade de pessoas para fazer uma comemoração”, prosseguiu.

O urbanista apontou também algumas das características específicas da Vila Madalena que dificultam a circulação de um contingente de pessoas.

“Quem conhece a Vila Madalena sabe que é um bairro estritamente residencial, de baixa densidade, com casas pequenas, com aqueles antigos sobradinhos, que ao longo dos anos sofreu uma modificação com o uso comercial, com o uso de serviço, e de repente, com a mudança do zoneamento, deixou de ser estritamente residencial e passou por um processo de verticalização”, afirmou Pedro Py. “Neste processo todo, ao longo de 80 anos ou um pouco menos, as ruas são as mesmas, as instalações são as mesmas. E a quantidade de gente que pode circular por ali é aquela mesma que tinha naquela época”, completou.

Pedro Py, aliás, revelou que teve a oportunidade de conferir um pouco dos problemas no bairro.

“Eu tive a oportunidade de ter um serviço naquele local e ver o resultado do dia seguinte (a um jogo), na semana passada. Naquele momento não tinha nem os banheiros químicos que foram colocados agora. A prefeitura falou em 40 toneladas de lixo. Os moradores que ali residem, as firmas, tirando os bares, que devem ter ficado satisfeitos com o movimento, não podem ficar contentes com esse tipo de coisa”, disse.

Por fim, o engenheiro urbanista deu sua opinião sobre possíveis formas de atenuar os dissabores que estão sendo frequentes na região.

“A cidade tem outros tipos de lugares que podem e devem ser usados. Nós temos o Sambódromo, temos o Vale do Anhangabaú, que já está sendo preparado para vários eventos. Em outros lugares, inclusive alguns parques, na própria periferia. Se o poder público desse as condições e atraísse os jovens, os interessados, acredito que as festividades seriam melhores, mais adequadas e não teríamos esse problema que estamos tento na Vila Madalena”, finalizou Pedro Py.