Vice da Lusa não teme punição: “Se tiver que refundar o clube, faremos isso”

  • Por Jovem Pan
  • 03/04/2014 14h16

Torcedores da Lusa choram depois da decisão do STJD que culminou no rebaixamento

Folhapress Torcedores da Portuguesa lamentam decisão do STJD

Depois de conseguir uma liminar na justiça comum para disputar a Série A do Campeonato Brasileiro de 2014, a Portuguesa aguarda as consequências de sua atitude. Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, Orlando Cordeiro de Barros, vice-presidente jurídico do clube, afirmou que não teme qualquer punição da CBF, disse que espera receber o dinheiro de cotas da primeira divisão porque é um direito da Lusa e admitiu que foi tentado um acordo financeiro com a CBF antes de impetrar a ação no judiciário, na última quarta-feira (02).

Após ser anunciada a punição que rebaixou o clube para a Série B, a Portuguesa demorou cerca de dois meses para recorrer à esfera comum. A grande preocupação era a dura punição que CBF poderia dar ao clube. “Não encontro na nossa constituição nada que me remeta a ter uma vírgula de preocupação. Porém, vamos entender que seja possível uma condenação e que isso, em tese, possa acontecer à Portuguesa. Paciência, meu amigo, faz parte do jogo. Estamos tentando brigar contra um sistema que é forte e tem um poder polêmico muito grande. Ela está pronta para a briga e ponto final. Se tiver que refundar o clube, vamos refunda-lo, mas não vamos nos curvar e nem nos acovardar”, afirmou.

Em crise financeira, especula-se que o clube, caso recebesse uma boa oferta financeira da CBF, aceitaria jogar a Série B. Se depender de Cordeiro, não há a menor possibilidade desse cenário se estabelecer. “A Portuguesa tem preocupação financeira. Agora, se nada disso der certo, paciência. Tomamos a postura que deveríamos tomar. Se você me oferecer 21 milhões de reais para disputar a Série B, eu vou negar. Vou dizer que quero disputar a Série A e quero essa verba porque eu tenho direito a ela porque eu conquistei em campo. Contudo, essa questão fica sob responsabilidade de quem dirige o clube, que é o presidente”, disse.

Questionado se houve uma tentativa por parte do clube de conseguir um acordo financeiro e evitar a ação impetrada na justiça comum, Cordeiro confirmou, mas ressaltou que não participou dessas ações. “O clube tentou um acordo com a CBF. Vários atores tentaram minimizar a situação financeira pela qual a instituição passa. O presidente e alguns diretores tentaram uma forma para que a Portuguesa não precisasse ir ao judiciário, mas não participei dessas tratativas”, admitiu.

O dirigente também fez questão de ressaltar que há respaldo jurídico nas ações tomadas pelo clube. “Existem vários advogados especializados em direito esportivo que emitiram pareceres em nosso favor, assim como grandes juristas. Se tivesse havido julgamentos igualitários, não precisaríamos disso. Não me é confortável ir à justiça comum, mas o clube precisa buscar seus direitos. Essa nossa medida não quer dizer que queiramos tumultuar o campeonato. Se houve um erro dentro da Portuguesa, é um erro administrativo e não legal”, opinou.

Cordeiro reiterou que dirigentes da gestão antiga serão investigados e podem acabar até excluídos do clube. “Há uma enquete administrativa, que já está em uma comissão de ética. Esta tem 30 dias para apurar e apontar os culpados. Posteriormente, essas pessoas serão julgadas e aí podem ser punidas ou não”, finalizou.