Viúvas cobram assistência pós-acidente da Chape: “famílias estão quase à deriva”

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2017 12h41
Oito meses depois do acidente da Chapecoense, familiares das vítimas reclamam de falta de amparo

Quase seis meses se passaram desde o terrível acidente aéreo de Medellín, mas os familiares de algumas das vítimas seguem sem assistência. Em participação exclusiva no Jovem Pan No Mundo da Bola deste sábado, a viúva de Cesinha, fisiologista da Chapecoense morto na tragédia de 29 de novembro, revelou que já formaliza, ao lado de outras 12 famílias, a criação de uma associação para lutar pelos direitos dos parentes dos mortos no fim do ano passado.

Ao lado de Mara, viúva do ex-jogador e comentarista Mário Sérgio, Fabiane Belle lidera o movimento.

“Nós estamos a poucos dias de completar seis meses do acidente, e algumas famílias, infelizmente, vêm sentindo na pele todas as consequências que só um acontecimento dessa magnitude pode provocar”, lamentou a ex-mulher de Cesinha, com exclusividade, à Rádio Jovem Pan.

“Além da dor da perda, há a angustia gerada pela falta de assistência, suporte e informação. Isso causa muitas incertezas, e, principalmente, frustração e inconformismo com a forma como este assunto vem sendo tratado com os familiares. Dentro desse cenário, surgiu a necessidade de criarmos uma associação, para dar representatividade à nossa causa”, acrescentou.

Como era casada com um fisiologista, e não um jogador, Fabiane não recebeu nenhum tipo de seguro da Chapecoense ou da CBF. A situação também vem sendo encarada por outras famílias – os parentes dos atletas mortos no acidente receberam um seguro cujo valor equivale a 26 salários do seu respectivo ente.

A resseguradora contratada pela LaMia, por sua vez, ainda negocia qual será o valor das indenizações – a empresa ofereceu 200 mil dólares (R$ 626 mil) para cada família, mas a proposta foi negada, sob a justificativa de que a companhia aérea só oferece cerca de metade do valor da apólice (R$ 12,8 milhões, e não R$ 25 milhões, divididos por 64 famílias).

“Há situações preocupantes. Famílias estão quase à deriva. O clube já retomou a sua história, recebeu a ajuda de diversos órgãos e instituições, está disputando campeonatos, mas as famílias não conseguiram sequer se reestruturar. O que temos observado é que todos estão passando por momentos extremamente difíceis, principalmente as famílias que têm filhos pequenos. Existe uma desassistência às famílias”, reclamou Fabiane.

O objetivo da associação, de acordo com a viúva de Cesinha, é apenas o de lutar por ajuda às famílias que se sentem desamparadas menos de seis meses depois da queda do avião. “O acidente é uma herança brutal que vamos carregar para o resto de nossas vidas. Essa é uma história que precisamos seguir, com força, mas também temos de buscar as responsabilidades. Com transparência, cuidado e, acima de tudo, delicadeza”, encerrou.