A “morte” do robô-experimento que dependia da generosidade dos humanos

  • Por Agencia EFE
  • 09/08/2015 11h37

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 9 ago (EFE).- O hitchBOT, um experimento social em forma de robô que percorreu três países de carona até ser destruído no último fim de semana na Filadélfia, nos Estados Unidos, tem chances de renascer, de acordo com seus criadores, dois pesquisadores canadenses.

O modesto robô criado em 2014 com restos de eletrodomésticos pelos pesquisadores canadenses David Harris Smith e Frauke Zeller, foi “assassinado” no fim de semana passado nas ruas da Filadélfia enquanto esperava por um bom samaritano para continuar sua viagem por estrada nos EUA.

Imagens gravadas por uma câmera de segurança mostram um indivíduo vestido com uma camisa do time de futebol americano Philadelphia Eagles golpear repetidamente o hitchBOT, inclusive levando algumas de suas partes na madrugada do sábado.

“Minha viagem chegou a um fim por agora, mas meu carinho pelas pessoas nunca irá se esgotar. Meu corpo foi danificado, mas sigo vivendo com todos os meus amigos. Às vezes, coisas ruins acontecem com robôs do bem”, anunciou pelo Twitter o hitchBOT.

Apesar da destruição, os criadores do projeto se mostraram otimistas sobre o futuro do robô. Zeller declarou à televisão pública canadense “CBC” que “no início foi difícil acreditar” que o simpático robô havia sido destruído, mas não fechou as portas para o renascimento.

“Agora temos que sentar e analisar o que podemos fazer”, disse um dos criadores do robô, que tinha um simples objetivo: “explorar o mundo e encontrar novos amigos no caminho”, segundo o site oficial da iniciativa.

Quando hitchBOT iniciou sua trajetória, com a primeira viagem em julho de 2014, Smith explicou que o robô era um experimento para explorar a interação entre indivíduos e equipamentos tecnológicos cada vez mais sofisticados e com “personalidade”.

HitchBOT era do tamanho de uma criança de seis anos e contava com um corpo feito com um cubo, painéis solares para recarregar suas baterias e extremidades feitas com cilindros de espuma, parecidos com os “macarrões” de flutuação para piscinas.

A cabeça do robô tinha uma simples tela para mostrar um par de olhos e uma boca. Apesar disso, hitchBOT foi programado para entender o que as pessoas falavam e manter uma conversa básica.

Com uma conexão 3G, o experimento tinha acesso à Wikipedia e fazia uso de sua câmera para postar, quando apropriado, fotos de suas viagens no Twitter e no Instagram.

Além disso, HitchBOT estava preso a uma cadeira de viagem infantil para facilitar que os motoristas das caronas o ajustassem com o cinto de segurança.

Recolhendo histórias contadas pelos motoristas e postando na internet as fotos que tirava periodicamente, hitchBOT percorreu em três semanas os seis mil quilômetros que separam a cidade canadense de Halifax, no litoral do Oceano Atlântico, de Victoria, no litoral do Oceano Pacífico.

O procedimento também foi simples: o robô era colocado à beira da estrada com seu braço estendido para pedir carona, até que alguém o recolhia para percorrer um trecho.

Quando o motorista chegava a seu destino, deixava hitchBOT na calçada até que outro motorista o recolhia para uma nova carona. Smith e Zeller acompanhavam o percurso do robô graças ao GPS que carregava e recebiam as fotos e informações que o robô reunia em suas aventuras.

Com o sucesso da viagem pelo Canadá, os criadores levaram hitchBOT à Alemanha em fevereiro deste ano, onde durante dez dias percorreu o país visitando lugares como o Portão de Brandemburgo e a catedral de Colônia. Depois, dos dias 7 a 24 de junho, hitchBOT atravessou a Holanda.

A última viagem do projeto começou no dia 17 de julho na cidade americana de Salem, em Massachusetts. O objetivo era atravessar os Estados Unidos e chegar a San Francisco.

“Meu destino final é o Exploratorium em San Francisco, na Califórnia. Só o tempo dirá quanto durará minha viagem. Mal posso esperar para fazer novos amigos”, anunciou hitchBOT em seu site.

A viagem do robô pelos Estados Unidos terminou de forma precoce na Filadélfia, a poucos quilômetros de seu início.

“Normalmente ficamos preocupados se podemos confiar nos robôs. O que este projeto questiona é se os robôs podem confiar nos seres humanos”, ponderou Zeller quando o hitchBOT foi criado. EFE