Ações do grupo terrorista ISIS não devem abalar a paz mundial, diz especialista

  • Por Jovem Pan
  • 28/08/2014 09h57
ISIS mostra seu lado bárbaro ao revelar ao mundo imagens de decapitação de jornalista

Depois de um período de guerra no Iraque e a guerra civil na Síria, os dois países enfrentam um novo desafio, um mesmo inimigo: o ISIS (sigla em inglês para Estado Islâmico no Iraque e na Síria), grupo que aterroriza a região com um projeto de domínio baseado em fundamentalismo e princípios anti-ocidente.

Em entrevista à JOVEM PAN, o professor de relações internacionais da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Reginaldo Nasser disse nesta quinta-feira (28) que o grupo terrorista ameaça a paz na região, mas não tem, ainda, ações de alcance suficiente para abalar a tranquilidade em escala global.

“Eu diria que essa percepção que está sendo difundida pelos EUA e pela imprensa ocidental tem um certo exagero. O Estado Islâmico está se tornando um problema para a região. Daí, dizer que é uma ameaça para a paz mundial é um certo exagero”, falou.

Nasser se posicionou ainda a favor de uma postura mais questionadora sobre o grupo terrorista. “Agora, seria preciso se atentar de onde vem esse estado islâmico, como é que ele se mantem. Afinal de contas, de repente, surge um grupo que conseguem reunir como opositores EUA, Irã e Rússia e não consegue vencê-lo”.

O especialista ressaltou que com essas características o ISIS já é um grupo estabelecido. “(..) Ele tem uma certa estrutura sólida, infelizmente”, falou. “Esse grupo começa a aparecer no âmbito da guerra civil na Síria, provavelmente, financiado pela Arábia Saudita e o Catar”, pontuou.

“Eram movimentos populares, depois se desenvolveram. Alguns grupos, que se desprenderam, inclusive, do estado sírio, começaram a entrar na luta armada; progressivamente, grupos da região foram para lá ajudados por vários países, inclusive, os Estados Unidos”, contou.

O professor da PUC afirmou que o conflito na Síria, especificamente, lembra os confrontos no terceiro mundo no período da Guerra Fria quando se considera as chamadas ‘guerras patrocinadas’. “De um lado, você tem um governo sustentando por uma grande potência que é a União Soviética, o governo do Assad. Do outro lado, você tem grupos financiados por outras potências”.

Nasser, ainda, ressaltou a diferença do Estado Islâmico para a Al Qaeda, que, de acordo com ele, é um grupo pequeno que agia de forma pontual, escondida e não se revelava. “Esse grupo [o ISIS] não. Como nós estamos vendo, eles tem a ideia de domínio territorial, de construir uma instituição política, de administrar o território”, falou.  

Barbaridades reveladas 

O professor de relações internacionais da PUC-SP Reginaldo Nasser explicou que as cenas de genocídio e execução revelas pelo ISIS funcionam como uma estratégia para dominar as pessoas pelo medo, pela barbárie. Porém, ressaltou que, para o Estado Islâmico obter tamanho poderio, é necessário o apoio da população. 

“(…) Mostra aquelas imagens, propositadamente, com punhais, facas, aquela espada árabe. Por quê? É uma tática para obter adesão das pessoas pelo termor, ou a pessoa se afugente ou adere ao grupo”, avaliou o Nasser, que, sem seguida, mostrou-se contrário a uma intervenção de Washington. 

O especialista lembrou ainda que o ISIS conseguiu se instalar em pontos estratégicos e obter renda por meio do petróleo, mais um fator, segundo Nasser, de que o grupo terrorista age de forma planejada.