Afegã que supostamente matou 25 talibãs se torna heroína em seu país

  • Por Agencia EFE
  • 13/12/2014 06h09

Baber Khan.

Cabul, 13 dez (EFE).- Reza Gul é uma mulher afegã que como tantas outras perdeu um filho pelas mãos dos talibãs, mas ao contrário dos demais, quando ela se inteirou do acontecido – segundo conta a imprensa local e reconheceu o governo – pegou um fuzil kalashnikov e supostamente matou 25 insurgentes.

Reza Gul se transformou em um símbolo da coragem para todos os afegãos e de inspiração para as mulheres que lutam para defender seus direitos em um país onde não ser homem não é exatamente simples.

A proeza de Gul circula pela imprensa e pelas redes sociais no Afeganistão, onde já a comparam com Malala de Maiwand, a heroína das lutas dos pashtuns contra a ocupação britânica no final do século XIX.

Para a maioria, a vingança de Gul é um ato de coragem de uma mãe e uma bofetada na cara dos talibãs, e na semana passada o governo afegão inclusive a reconheceu outorgando-lhe através do primeiro vice-presidente, Abdul Rashid Dostum, a ordem de Malala de Maiwand, segundo a agência estatal “Bakhtar”.

A história desta mulher de 40 anos começou no dia 17 de novembro, quando centenas de talibãs lançaram um ataque em massa no distrito de Balabolok, na província sudoeste de Farah.

O posto de controle de segurança da região, não longe de sua casa em Ganja Abad e onde estavam tanto seu marido como seu filho, ambos policiais, também foi atacado. Na ação o jovem Safiulah, de 21 anos, filho de Gul, morreu.

Quando recebeu a notícia, a mulher pegou um Kalashnikov e junto com sua filha, sua nora e outro filho mais jovem foram para o posto de controle. Ali travaram uma batalha que durou um dia inteiro. No final, a mulher tinha matado 25 insurgentes e ferido outros 31, segundo a imprensa local.

“Quando meu filho morreu e eu o vi deitado no chão em um charco de sangue minha paciência chegou ao limite”, disse Gul por telefone à Agência Efe.

“Era difícil respirar, peguei uma arma, um cinturão com munição e fui para o posto e comecei a disparar contra os talibãs até a noite”, acrescentou com voz trêmula.

“Embora estivesse cega de raiva pela morte do meu filho, na realidade estava lutando pelo meu país e pelo povo”, declarou, ao lembrar que naquele dia houve “tiros, choro e gritos de sua família”.

Reza Gul sofre agora problemas de saúde. Não pode ouvir bem e tem dores no corpo depois que escombros do posto policial caíram em cima dela durante o combate.

Ela e seu marido, Sattar Khan, foram convidados pelo governo a ir a Cabul para serem reconhecidos por sua coragem.

“Estou orgulhoso da minha mulher, perdi meu filho, mas tenho uma esposa que é uma heroína e que está se transformando em um símbolo de coragem para os afegãos”, declarou Khan à Efe.

O efeito do ataque contra os talibãs, que posteriormente explodiram duas casas na cidade de Gul, faz com que hoje alguns membros no exército se mostrem corajosos perante a perspectiva de triunfar em um conflito que dia após dia deixa atentados com dezenas de mortos.

“Os insurgentes sabem que não são ninguém se os afegãos os enfrentarem”, afirmou à Efe o chefe de polícia de Farah, Abdul Razaq Yaqoubi.

“Reza Gul é agora um símbolo de resistência e de coragem em todo o Afeganistão”, acrescentou.

Ativistas dos direitos das mulheres também acreditam que a ação de Gul encorajará estas a encarar as injustiças inclusive se isso ajudar a matar insurgentes talibãs.

“Com sua ação Reza Gul demonstrou que a coragem não é uma coisa de homens, mas de todos, homens e mulheres”, destacou a legisladora e ativista Humaira Ajubi.

“Foi uma bofetada na cara dos insurgentes talibãs por parte das mulheres afegãs. Como mulher me sinto orgulhosa de seu ato heroico”, acrescentou.

A história correu pelas redes sociais e as fotos de Reza Gul foram compartilhadas por milhares de usuários no Facebook.

“Nossos representantes devem aprender com a coragem desta mãe, que é a nova Malala de Maiwand”, escreveu uma usuária dessa rede social. EFE