Agência de inteligência afegã acusa Paquistão de liderar talibãs

  • Por Agencia EFE
  • 12/08/2015 14h18

Cabul, 12 ago (EFE).- A agência de inteligência do Afeganistão acusou nesta terça-feira o exército e os serviços secretos do Paquistão de treinar, financiar e comandar diretamente os talibãs, cujo líder, o mulá Omar, morreu em abril de 2013 em solo paquistanês, conforme foi divulgado há duas semanas.

“Nossa guerra não é uma guerra interna afegã. Nos últimos anos, os talibãs não foram liderados por nenhum chefe afegão, mas por vários comandantes militares paquistaneses”, denunciou o porta-voz do Diretório Nacional de Segurança (NDS, sigla em inglês), Abdul Hassib Sediqi, em entrevista coletiva em Cabul.

Segundo o representante, a formação insurgente é “uma ferramenta” das Forças Armadas paquistanesas para a guerra contra a segurança afegã e seus integrantes são treinados no país vizinho, onde também são fabricadas as bombas que utilizam.

“Essa intromissão das Forças Armadas paquistanesas nos fizeram descobrir diversas fontes e também países estrangeiros”, detalhou Sediqi, para accrescentar que Cabul tem provas do envolvimento de Islamabad no comando da formação insurgente.

O porta-voz do NDS afirmou que o Paquistão tenta encerrar as divergências internas que surgiram entre os talibãs depois que, há duas semanas, foi anunciada a morte de seu fundador, o mulá Omar, em abril de 2013 em um hospital de paquistanês de Karachi.

Hassib Sediqi declarou que “círculos específicos” das Forças Armadas paquistanesas estiveram envolvidos nos últimos ataques na capital afegã, feitos com sua “marionete”, a facção talibã conhecida como rede Haqqani.

Os insurgentes, que na sexta-feira passada atacaram uma base militar americana e causaram a morte de nove pessoas, utilizaram explosivos que apenas os governos têm acesso e são impossíveis de se obter no mercado, segundo Sediqi.

Detalhou que as forças de segurança afegãs evitaram recentemente um grande número de ataques e que, nos últimos três meses, prenderam mais de 5 mil insurgentes e apreenderam quase 17 mil quilos de explosivos.

O presidente afegão, Ashraf Ghani, já havia exigido na segunda-feira ao Paquistão que combata de forma decidida os talibãs em solo paquistanês, de modo a acabar com ataques como os sofridos na sexta-feira em Cabul, com dezenas de civis mortos e feridos.

Após o anúncio da morte do mulá Omar, os talibãs nomearam como novo chefe Ajtar Mohamad Mansur, considerado um insurgente moderado, aberto a negociações de paz e próximo a Islamabad.

O movimento talibã (“estudantes”, em língua pashto) surgiu na década de 1990 nas escolas do Paquistão em que estudavam os refugiados da guerra civil afegã. EFE