Agência Reguladora Europeia aprova primeira vacina contra a malária

  • Por Agencia EFE
  • 24/07/2015 07h18

Londres, 24 jul (EFE).- A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) aprovou nesta sexta-feira a primeira vacina contra malária, batizada como Mosquirix, para uso exclusivo em bebês com idades entre seis semanas e 17 meses.

Em comunicado, a EMA, com sede em Londres, explicou que sua comissão para produtos medicinais de consumo humano adotou uma “posição científica positiva” sobre a vacina, produzida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline junto com a Path Malária Vaccine Initiative, para seu uso “fora da União Europeia”.

Segundo a agência, a Mosquirix, também chamada de RTS, deve ser usada em áreas onde há alto índice de infestação da malária para imunização de bebês com idades entre seis semanas e 17 meses, os mais beneficiados nos estudos clínicos.

Após décadas de pesquisa, essa é a primeira vez que uma vacina contra malária é aprovada, apesar de a eficácia ser limitada.

Nos estudos clínicos realizados em sete países africanos, ficou comprovado que a Mosquirix oferece uma “proteção modesta” contra a malária causada por Plasmodium falciparum (a mais frequente) no primeiro ano após sua administração.

A substância demonstrou ser efetiva na prevenção da malária em 56% dos bebês entre cinco e 17 meses. Já entre crianças com idades entre seis e 12 semanas, a eficácia cai para 31%, explicou a EMA.

Após os resultados, a agência europeia concluiu que, apesar das limitações, as vantagens da Mosquirix “superam os riscos em ambos os grupos de idade estudados”.

O órgão, cujo relatório deve ser ratificado pela Comissão Europeia (CE), recomenda a administração da vacina em crianças que vivem em regiões “de alta transmissão e com grande mortalidade”.

Por não oferecer proteção total, a aplicação da vacina deve ser combinada com outras medidas preventivas já existentes, como redes contra os mosquitos e inseticidas, destaca a EMA.

De acordo com os últimos dados, 584 mil pessoas morreram de malária em 2013, 90% delas na África Subsaariana. Do total das vítimas africanas, 83% eram crianças com menos de cinco anos.

A expectativa é que a Organização Mundial de Saúde (OMS) publique suas recomendações sobre o uso da Mosquirix até novembro.

Em comunicado, a GlaxoSmithKline confirmou que, se a comercialização da vacina for autorizada, ela será vendida ao preço de custo mais uma margem de 5%, que será reinvestido na pesquisa de outras substâncias para prevenir malária e outras doenças tropicais. EFE