Agentes da Polícia Federal entram em greve por melhores salários

  • Por Agencia EFE
  • 11/02/2014 16h02

Rio de Janeiro, 11 fev (EFE).- Cerca de 6.500 agentes da Polícia Federal paralisaram nesta terça-feira as atividades em uma greve que reivindica por melhores salários, divulgou a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef).

A greve teve a adesão de agentes e peritos criminais em 22 dos 27 estados do país, segundo o principal sindicato da PF. O presidente da Fenapef, Jones Leal, garantiu que a paralisação não afetará diretamente a população, já que as atividades nos postos de fiscalização nos aeroportos e nos escritórios de expedição de passaportes será mantida.

A greve, no entanto, pode atrasar investigações criminais e impedir a apresentação de denúncias.

“Calculamos que entre 60% e 70% dos agentes aderiram à greve desta terça-feira. Embora não queiramos afetar o dia a dia da sociedade, serão paralisadas as investigações e o funcionamento nas delegacias de Entorpecentes e Crimes Econômicos”, explicou o líder sindical.

A paralisação de hoje e outras inicialmente programadas para os dias 25 e 26 de fevereiro pressionam o governo por reajuste dos salários dos agentes da Polícia Federal, que, segundo a Fenapej, não são elevados em termos reais há sete anos.

O sindicato garante que enquanto o governo deu aumentos salariais que variam entre 20% e 30% para outros funcionários públicos, incluindo os próprios delegados da Polícia Federal, para os agentes da instituição só se autorizou um aumento de 15% para repor a inflação dos últimos três anos.

“Mas o salário é apenas uma de nossas reivindicações. Queremos que se resolvam outros assuntos para melhorar as condições de trabalho como o assédio moral, a falta de efetivo e até a falta de boa gestão. Nossa pauta é gigantesca”, disse o líder sindical.

Como a greve coincidiu com o Dia Mundial do Doente, os agentes realizaram manifestações em várias cidades em que apresentaram a Polícia Federal como um doente crônico abandonado em uma maca que precisa de máscaras de oxigênio para respirar.

“A Polícia Federal está na Unidade de Terapia Intensiva”, diziam alguns dos cartazes exibidos pelos grevistas.

Segundo um comunicado do sindicato, a “deplorável situação do órgão” é resultado de um boicote da presidente Dilma Rousseff, “punição pelas operações contra corrupção que incomodam o governo”.

A Fenapej denuncia que, apesar de o governo garantir publicamente que a Polícia Federal aumentou o número de investigações contra a corrupção, os números de acusações e casos resolvidos não pairam de cair.

Segundo dados da Polícia Federal, o número de pessoas formalmente acusadas de crimes do colarinho branco e corrupção caiu em 86% entre 2007 e 2013.

De acordo com o comunicado, tal redução é “reflexo da política de segurança do governo, que criou vários mecanismos para controlar politicamente as investigações e que não defendeu a instituição dos cortes de investimentos”. EFE