AI alerta para crise humanitária nas ilhas gregas do mar Egeu

  • Por Agencia EFE
  • 24/06/2015 21h25

Londres, 25 jun (EFE).- A Anistia Internacional (AI) alertou nesta quarta-feira para a “crise humanitária” nas ilhas gregas do mar Egeu pelo aumento da chegada de imigrantes.

“O brusco aumento de refugiados que chegam às ilhas gregas está levando o sistema de recepção, que já estava cambaleante, a um ponto de ruptura”, advertiu a AI em comunicado de sua sede em Londres.

“A crise humanitária, inflamada pelo desastre financeiro da Grécia, se agrava a cada mês”, assinalou a organização, que destacou que um “planejamento pobre e o uso ineficaz” dos recursos europeus fazem com que as autoridades gregas sejam “incapazes de responder às necessidades dos refugiados e de proteger seus direitos”.

Segundo os números da Anistia Internacional, 61.474 imigrantes chegaram às ilhas gregas entre 1º de janeiro e 22 de junho de 2015, um crescimento de 41% em relação aos 43.500 que alcançaram essa mesma costa, mas durante todo o ano de 2014.

“Centenas de milhares de pessoas vulneráveis que enfrentam perigosas travessias para escapar da guerra ou da pobreza chegam às ilhas e se deparam com um sistema de recepção insuficiente”, afirmou John Dalhuisen, diretor da AI para a Europa e a Ásia Central.

“A maioria dos recém-chegados não têm acesso ou têm acesso limitado a recursos médicos e humanitários. Em algumas ocasiões se veem forçados a permanecer em condições paupérrimas, em centros de detenção massificados ou em campo aberto”, assinalou Dalhuisen.

A organização citou o testemunho de um refugiado afegão que chegou às ilhas com sua esposa e dois filhos pequenos: “Meus filhos dormiram com a roupa molhada. Ninguém veio nos atender. A situação está ruim. Meus filhos estão doentes, nós estamos doentes. Precisamos de médico e roupa”, desabafou esse imigrante.

A Anistia Internacional sustentou que a situação no Egeu “não é um problema meramente grego, mas uma tragédia provocada pelo fracassado sistema de imigração europeu”.

Por esse motivo, a organização humanitária pediu aos líderes comunitários que se “conscientizem das tensões intoleráveis” que países como Grécia e Itália sofrem por causa da imigração ilegal no Mediterrâneo.

A AI considera que a grande maioria dos refugiados que tentam entrar na Europa o fazem por via marítima por causa do aumento da segurança nas passagens fronteiriças, da cerca que serve como barreira anti-imigrantes na Turquia e a prática ilegal de “empurrar de volta” os imigrantes que conseguem atravessar as fronteiras. EFE