Alckmin chama atos contra o aumento da tarifa de “vandalismo seletivo”

  • Por Jovem Pan
  • 14/01/2016 12h45
SP - ALCKMIN/SP - GERAL - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) durante cerimônia de sanção do projeto de lei que dispõe dos planos públicos de valorização e aproveitamento dos recursos fundiários, no Palácio dos Bandeirantes, no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo, nesta quinta- feira, 14. A nova lei atenderá quase sete mil famílias beneficiárias da política agrária do governo do Estado. 14/01/2016 - Foto: DOUGLAS PINGITURO/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOGovernador Geraldo Alckmin em cerimônia nesta quinta-feira no Palácio dos Bandeirantes

O governador Geraldo Alkckmin comentou nesta quinta-feira (14) as manifestações contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. Após o ato da última terça que terminou com 13 detidos e alguns feridos, estão programados dois novos protestos na capital paulista nesta quinta, um em frente ao Theatro Municipal, no centro, e outro no Largo da Batata, zona oeste, ambos às 17h. Os trajetos das passeadas foram divulgados nesta tarde.

Ele deu a entender que os atos do Movimento Passe Livre (MPL) não são legítimos por causa do “vandalismo”. “Manifestação legítima, pacífica, é nosso dever até acompanhá-la, dar segurança. Não tem nenhum problema, isso é extremamente positivo. Agora, outra coisa é vandalismo seletivo. Não teve manifestação quando a inflação passou de 10%”, disse o governador.

Alckmin justifica o aumento dos preços de passagens de ônibus, trens e metrô de R$ 3,50 para R$ 3,80 (aumento de 8,57%) argumentando que a alta é menor que a inflação oficial (IPCA), que fechou 2015 em 10,67%.

Além disso, o governador citou grupos que já têm o benefício da gratuidade nos transportes, como estudantes de baixa renda, desempregados, idosos, deficientes e o trabalhador que recebe vale-transporte. Ele ainda lembrou que os bilhetes únicos semanal, mensal, 24h e “madrugador” (que entra no metrô antes de 6h15) mantiveram o mesmo preço do ano passado.

Alckmin também questionou os manifestantes, comparando a pauta com outro aumento de tarifa em nível nacional: “Estranho, não houve nenhuma manifestação quando a energia elétrica subiu 70%”. E emendou: “Então, vandalismo seletivo, não”, repetiu. “Isso o paulista sabe diferenciar bem as coisas, e não aceita”.

Força policial

Alckmin também comentou a força policial utilizada no último ato do Movimento Passe Livre, na terça (12), quando bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral foram arremessadas para dispersar os manifestantes na Praça do Ciclista (cruzamento da Avenida Paulista com a Rua da Consolação) antes mesmo de a passeata começar.

“Alguns não querem manifestação, querem confronto com a polícia para sair na mídia”, afirmou o governador.

A justificativa oficial para o uso da força é que os manifestantes tentaram fazer outro percurso não previsto, descendo pela Avenida Rebouças em vez da R. da Consolação. Os policiais foram criticados, no entanto, por não terem deixado rotas de fuga abertas no momento em que se decidiu dissolver o ato, algo previsto em manual da própria Polícia Militar e em orientações de ações policiais de rua da Organização das Nações Unidas (ONU).

Alckmin lembrou que a cidade tem 12 milhões de habitantes e o trânsito precisa de ser desviado a partir de um roteiro previamente estabelecido. Ele lembrou a Constitução Federal, que exige que as autoridades sejam avisadas de manifestações.”Você faz uma reunião (…) e ninguém comparece”, criticou, por fim, o governador, por causa da ausência de membros do MPL em reunião agendada pela Procuradoria para esta quinta de manhã.

(Foto do texto: Agência Brasil)

Alckmin deu entrevista coletiva colhida pela repórter Jovem Pan Renata Perobelli