Alckmin diz que possibilidade de rodízio é pequena, mas não pode ser descartada

  • Por Jovem Pan
  • 03/03/2015 10h25
Governador Geraldo Alckmin participa do Jornal da Manhã

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã da Jovem Pan, o governador de São Paulo Geraldo Alckmin não eliminou a possibilidade de estabelecer o rodízio para amenizar a crise hídrica no Estado. “Nunca se pode dizer que (o rodízio) não vai ocorrer, mas posso dizer que a probabilidade é muito pequena. Temos reservas técnicas ainda não utilizadas e obras emergenciais que estão dentro de cronogramas. Agora, obras estruturas foram antecipadas”, afirmou.

Para evitar que o racionamento atinja mais pessoas, o governador espera integrar ainda mais os mananciais que abastecem a capital paulista. “Entendo que não (se pode descartar o racionamento). Já temos um sistema bom. Precisamos ficar menos dependente do Cantareira. Podemos usar o novo sistema São Lourenço e socorrer o Cantareira com o Paraíba. Integrando bacias diminuímos a vulnerabilidade”, explicou.

Fim das águas de março

Alckmin disse ainda que o governo atua para enfrentar o período seco que deve se iniciar no fim de março, com o começo do outono. O sistema Cantareira, onde o governador reconhece estar localizado o maior problema, passou por altas consecutivas de nível em feveiro, mas ainda opera com a primeira cota do volume morto, aquela água localizada abaixo da altura convencional de captação.

“Estamos trabalhando para no período seco do inverno equilibrar demanda e ofertar. O problema está localizado no Cantareira. São sete reservatórios. Tirávamos 33 m³ por segundo, hoje tiramos 15 m³/s, a meta é 14 m³/s. Estamos trabalhando ininterruptamente. Além dos 11,7% (nível do sistema, contando dois volumes mortos), temos (outras) duas reservas técnicas”, avaliou o governador.

Planejamento

Questionado se um melhor planejamento não evitaria a crise hídrica, Alckmin garantiu que rodízio não é coisa recente. “São Paulo sempre teve rodízio, ate 2001 sempre teve na zona leste, muitas regiões da cidade, mesmo que chovesse”, disse. “Por falta de capacidade de tratar e distribuir, hoje tem um super estrutura”, justificou, emendando com a questão climática. “O que tivemos no ano passado, pra ter uma ideia, a maior seca do século passado foi em 1953, ano passado choveu metade daquilo. E é exatamente pelo fato de termos uma estrutra muito forte que tivemos a capacidade de substituir o Cantareira”, elogiou.

Consumo pessoal

Geraldo Alckmin garantiu ainda que ele mesmo também tem economizado. No começo de fevereiro, vazou nas redes sociais uma conta de água do prédio do Palácio dos Bandeirantes que mostrava aumento de consumo em relação ao mês anterior. À época, o governo justificou dizendo que dezembro tem mais férias e feriados e, por isso, menos consumo, além de afirmar que a sede do governo paulista alcançara os 30% de desconto da Sabesp. “Faço economia, o Palácio reduziu 58% o consumo de água”, garantiu o governador.

Vazamento e consumo

Alckmin também criticou o vazamento de água, que faz perder boa parte do recurso já tratado para consumo, e disse que a meta é reduzir o desperdício por vazamento para menos da metade do que acontece no país. “O Brasil perde 36% de perda física de água. São Paulo tem 19,6%, e essa perda são as perdas invisíveis, que acontecem embaixo do solo. A meta é chegar a 16%”, garantiu.

O governador ainda elogiou a redução do consumo por parte da população paulista. “São Paulo hoje é exemplo pro brasil de uso racional da agua, com mais de 80% de redução de consumo”, classificou. “Nenhum governo deu prêmio, bônus para redução. O bônus começou em fevereiro do ano passado e houve 81% de redução”, gabou-se. (81% dos usuários reduziram o consumo, não importando a quantidade economizada; 39% diminuiram o consumo em mais de 20%).

Ouça a participação completa do governador no Jornal da Manhã aqui e ouça o trecho destacado sobre a água no áudio acima.

(Foto do texto: Vista da represa Reserva Jaguari-Jacareí/ Folhapress)