Alemanha mantém austeridade apesar de fraco crescimento econômico

  • Por Agencia EFE
  • 17/12/2014 20h30

Noelia López.

Berlim, 17 dez (EFE).- A chanceler alemã, Angela Merkel, à frente de uma grande coalizão dos social-democratas, celebra nesta quarta-feira o primeiro aniversário de sua terceira posse sem quase alterar sua mensagem de austeridade e reformas aos países europeus, enquanto analistas alertam sobre a desaceleração da economia nacional.

Pouco após de começar o outono, o governo alemão, seus conselheiros e os principais institutos econômicos do país rebaixaram de forma drástica as previsões de crescimento da economia. No entanto, essa unanimidade não se refletiu na receita com a qual Berlim espera superar a crise da zona do euro.

“Alemanha no bom caminho”, por exemplo, é o título do balanço do primeiro ano da legislatura divulgado pelo Executivo.

O orçamento federal para 2015, o primeiro com déficit zero desde 1969, lidera esse resumo do governo e se transformou em um dos principais argumentos de defesa da estabilidade.

A Alemanha alcançou a atual situação, lembram Merkel e seu homem forte, o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, graças às exigentes reformas aprovadas há uma década pelo chanceler Gerhard Schröder, também social-democrata. Mas outros parceiros europeus ainda devem fazer o dever de casa.

Sem o rompimento dessa estabilidade orçamentária foi possível dar sinal verde às principais iniciativas exigidas pelo Partido Social-Democrata (SPD) para formar o novo governo.

O primeiro ano do terceiro mandato de Merkel será lembrado, de fato, pelas leis de cunho social aprovadas pelo governo alemão, uma amostra das concessões necessárias para estabelecer uma grande coalizão e garantir a estabilidade política após as eleições de 2013.

Graças a esse pacto, por exemplo, a Alemanha contará a partir de janeiro de 2015, pela primeira vez, com um salário mínimo interprofissional. Será permitido também que trabalhadores que tenham contribuído com a previdência durante 45 anos se aposentem aos completarem 63 anos.

Há um debate ideológico dividindo o país entre os que alertam que essas leis afetarão a produtividade de debilitarão a economia alemã, e quem defende a necessidade de reforçar a justiça social em um país com uma elevada taxa de empregos precários.

Segundo os sociais-democratas, as novas medidas ficarão como “legado”. Além disso, há também o estabelecimento de uma cota de mulheres nos conselhos de vigilância das grandes empresas.

No entanto, o grupo conservador também conseguiu deixar sua marca neste primeiro ano, quando aprovou a nova legislação para controlar o acesso de estrangeiros aos serviços sociais alemães.

Merkel, reeleita por uma arrasadora maioria como líder da União Democrata-Cristã (CDU), manteve-se firme ao pacto e demonstrou sua autoridade aplacando críticas a seus próprios aliados, enquanto Schäuble se esforçou em garantir que as contas continuarão fechando.

Como mostra da capacidade de reaquecer a economia enquanto o aumento das despesas é contido, e talvez não completamente alheio aos vizinhos, o ministro das Finanças anunciou no último trimestre um programa de investimentos de 10 bilhões de euros até 2018. E, apesar de ressalvas, elogiou o ambicioso plano Juncker para a UE.

As eleições europeias demonstraram que os sociais-democratas não foram penalizados por fazer parte da grande coalizão. Inclusive, melhoraram ligeiramente seus resultados, embora ainda a muita distância da CDU e seus parceiros bávaros da CSU.

Apesar de o bloco conservador ter obtido seu pior desempenho na história de um pleito europeu, as pesquisas ratificaram, meses depois, a aprovação da gestão de Merkel, a mantendo como a política mais bem avaliada do país.

O principal problema é, talvez, a Alternativa para a Alemanha (Afd), com sua mensagem eurocética, e que agora se mistura aos movimentos islamófobicos que conseguiram levar às ruas milhares de cidadãos depois da crescente chegada de refugiados ao país.

Mas as maiores frustrações de Berlim vieram do exterior. A crise da Ucrânia monopolizou a agenda internacional do país. O governo foi obrigado a deixar de lado os atritos com Washington por causa da espionagem contra Merkel.

Os esforços da chanceler para manter um complicado equilíbrio entre as sanções a Moscou e o diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin, não deram frutos. O discurso político ganhou ares de Guerra Fria, um período que o país considerava como superado após comemorar os 25 anos da queda do muro de Berlim. EFE