Alemanha Oriental vendeu sangue de presos ao Ocidente para conseguir dinheiro

  • Por Agencia EFE
  • 15/01/2014 10h46

Berlim, 15 jan (EFE).- As autoridades da República Democrática da Alemanha (RDA) forçaram presos a doarem sangue e depois venderam o material à Cruz Vermelha da Baviera, na Alemanha Ocidental, para conseguir divisas, estratégia comprovada em documentos do Ministério para a Segurança do Estado (Stasi).

O programa de investigação “Report Mainz”, da primeira emissora pública alemã, a “ARD”, chegou a essas conclusões após um estudo de documentos que mostram a lucrativa troca comercial entre as duas Alemanhas.

A retirada de sangue obrigatória ocorreu no início dos anos 80 em prisões da Saxônia e Turíngia.

“Em contrapartida, a RDA tinha a possibilidade de comprar do ocidente remédios importantes aos quais não tinha acesso de outra maneira”, explicou Tobias Wunschik, autor do estudo.

A Cruz Vermelha da Baviera reconheceu a compra de sangue, um projeto que participou como via para desenvolver o sistema de doações na Alemanha Oriental mas sem saber, assegurou, que se tratava de sangue procedente de presos.

Segundo a reportagem, a equipe médica que participava das retiradas de sangue estava consciente de que as doações não eram voluntárias e registros do ministério comprovam que algumas enfermeiras se negaram a participar do processo.

Não há números oficiais sobre a renda obtida pela RDA com este negócio, que se soma a outros projetos polêmicos das autoridades comunistas para ter acesso a divisas.

Em 2012, o fabricante de móveis sueco Ikea se desculpou publicamente por ter empregado presos políticos da extinta RDA para produzir seus artigos.

Mas a Ikea foi só “a ponta do iceberg” das empresas que se beneficiaram do trabalho forçado e barato dos prisioneiros das prisões comunistas, afirmou a Stasi.

Com dados parciais obtidos desses documentos, é estimado que a RDA conseguia anualmente pelo menos 200 milhões de marcos alemães graças a produtos desenvolvidos nas prisões, que segundo algumas informações poderiam ter beneficiado empresas como Aldi e Volkswagen. EFE