Amigo de menino morto relata tapa de PM

  • Por Estadão Conteúdo
  • 07/06/2016 09h29
Menino sobrevivente

O menino de 11 anos que se envolveu em furto de veículo que, posteriormente, culminou em perseguição e morte do amigo, de 10, pela Polícia Militar, afirmou, em depoimento no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que levou um tapa e foi ameaçado pelos PMs envolvidos no caso antes de chegar à delegacia.

A reportagem teve acesso ao depoimento, o segundo, ocorrido na última sexta-feira (3), na sede do DHPP. A mãe da criança e o advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), acompanharam o menino. Ele afirmou que, juntamente com o amigo, foi perseguido pelos oficiais após ambos furtarem um carro que estava na garagem de um condomínio, na Vila Andrade, zona sul. O amigo teria atirado três vezes na perseguição, mas acabou batendo em dois veículos antes de parar, recordou o garoto. 

Um policial que estava de moto caiu e, em seguida, se levantou e atirou contra o vidro do motorista e acertou a cabeça de seu amigo, que estava o volante do veículo. Neste momento, pelo que se recorda, não houve tiroteio. Em seguida, os PMs mandaram o garoto de 11 anos sair pela porta da frente.

Ele passou por cima do corpo do amigo e saiu. Na rua, foi dominado pelo policial que atirou e colocado no chão com as mãos para trás. Depois, relata que levou um tapa e outro policial disse que se ele “não tivesse mãe e pai, iriam matá-lo”.

Cinco horas

Segundo o DHPP, os policiais ficaram cerca de cinco horas com a criança antes de apresentá-lo no departamento. Nesse período, a criança gravou o vídeo, a pedido dos oficiais. Nele, confirma a versão inicial dos guardas de que o menino morto atirou para, em seguida, ser morto. Para Alves, o menino foi coagido a gravar o vídeo. Na última segunda-feira (6), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) comentou que o vídeo “parece espontâneo” e o caso é investigado “com todo o rigor” pelo órgão. 

A Secretaria da Segurança Pública destacou que a Corregedoria instaurou procedimento administrativo e inquérito para apurar toda a conduta dos PMs, provisoriamente estão afastados das ruas. “Em relação ao vídeo, o DHPP informa que foi enviado para ser incluído no inquérito.”