Analistas da América Latina apostam em fortalecer políticas contra racismo

  • Por Agencia EFE
  • 19/03/2015 15h54

Montevidéu, 19 mar (EFE).- Representantes de diversas cidades da América Latina e do Caribe, além de membros da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), debateram nesta quinta-feira em Montevidéu (Uruguai) o papel que as políticas locais desempenham na luta contra o racismo.

O evento foi convocado pela Coalizão Latino-Americana e Caribenha de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia da Unesco na capital uruguaia, local que por determinação da organização lidera este movimento desde sua criação, em 2006.

“É uma iniciativa que pretende contribuir com as políticas locais e municipais contra a discriminação racial, um esforço que vale a pena ser fortalecido”, disse à Agência Efe Luis Carrizo, consultor do setor de Ciências Sociais e Humanas da Unesco.

Durante a reunião três temas foram bastante debatidos: o racismo, a discriminação de gênero e as migrações.

“A discriminação racial continua sendo um flagelo na região, apesar da luta intensa dos movimentos sociais e de ativistas com grande capacidade de incidência”, disse o representante da Unesco.

Após uma primeira conversa, que contou com a participação da diretora do Escritório Regional de Ciência da Unesco para a América Latina e o Caribe, Lidia Brito, foi aberta uma mesa-redonda na qual representantes de várias cidades da coalizão discutiram as políticas contra o racismo que já puseram em prática. Assim, participaram delegações de Guarulhos, São Paulo; de Quilmes, Buenos Aires, da Cidade do México e de Montevidéu.

A Coalizão Latino-Americana e Caribenha de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia da Unesco é integrada por mais de 40 cidades que desde sua fundação em 2006 elaboraram um plano de ação com dez pontos que abrangem distintas esferas de competência municipal. As cidades signatárias se comprometeram a implantar este plano de ação em suas políticas e estratégias, e a envolverem diferentes interlocutores da sociedade civil na iniciativa.

Sobre a situação da capital uruguaia, a diretora geral de Desenvolvimento Social da Intendência de Montevidéu, María Sara Ribero, afirmou que esta é uma cidade que “vem avançando”, mas na qual “ficam claramente situações de discriminação”.

“Agora, o Uruguai é declarado como um país de rendas média e alta e nos tornamos uma cidade atrativa para migrações. Isto nos coloca desafios diferentes que antes não tínhamos”, declarou.

A atividade de hoje foi realizada em comemoração ao Dia Internacional de Eliminação da Discriminação Racial, que é 21 de março, e aconteceu no marco do Fórum Internacional de Incidência Global das Cidades, promovido pela Intendência de Montevidéu e o Escritório Regional de Ciência da Unesco para a América Latina e o Caribe. EFE

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