Anistia Internacional denuncia prisões arbitrárias e despejos em Angola

  • Por Agencia EFE
  • 05/05/2014 15h38

Lisboa, 5 mai (EFE).- A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta segunda-feira as prisões arbitrárias e torturas praticadas pela polícia e forças de segurança de Angola e pediu que a antiga colônia portuguesa suspenda de forma imediata os despejos de inquilinos em massa.

“Estamos muito preocupados pelo comportamento da polícia e das forças de segurança de Angola. Houve muitos casos de detenções arbitrários e torturas”, denunciou hoje em Lisboa Salil Shetty, o secretário-geral da AI.

Shetty manifestou sua inquietação após se reunir com o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, com quem discutiu vários temas internacionais, entre eles a situação de Angola, país africano com o qual Portugal guarda laços históricos.

O ativista indiano avisou que muitas das prisões lá aconteceram durante as manifestações e constatou que a violação dos direitos dos presos também está na ordem do dia.

“Todas as formas de despejos de inquilinos em massa devem ser imediatamente suspensos. Não é uma questão de moratória”, julgou o dirigente pró-direitos humanos, que lembrou que muitos destes desalojamentos são forçados pela demolição de lares, vinculada à projetos empresariais.

O secretário-geral da AI assumiu discordar do governo português sobre as medidas tomadas em Angola.

Shetty comentou que Lisboa prefere destacar os progressos históricos em direitos humanos ocorridos em Angola, governada nas últimas décadas pelo presidente José Eduardo dos Santos.

Em AI “não fazemos uma análise histórica. Nós levamos em conta a realidade atual, se um país cumpre os requisitos em matéria de direitos humanos. E Angola não os cumpre”, concluiu.

Durante seu encontro com Passos Coelho, Shetty falou também sobre a Guiné Equatorial, onde a suspensão da pena de morte não convenceu os defensores dos direitos humanos, e dos impactos da austeridade na população portuguesa, especialmente para crianças, idosos e minorias étnicas, como os ciganos. EFE