Apesar de integração, desigualdade com mulheres persiste na América Latina

  • Por Agencia EFE
  • 20/01/2014 20h06

Santiago do Chile, 20 jan (EFE).- A maior incorporação da mulher ao mercado de trabalho nas últimas décadas não foi causada pela diminuição das diferenças salariais e de qualidade dos empregos na América Latina, revelou nesta segunda-feira um estudo realizado por cinco agências da ONU.

“Apesar da maciça incorporação feminina à força de trabalho nas últimas décadas no continente, persistem as diferenças de gênero e o trabalho precário continua sendo principalmente feminino”, indicou o relatório.

As mulheres estão sub-representadas em ocupações de menor qualidade e maior informalidade, demonstrado pelos números, que mostram que 54% está em ocupações informais, e 48% dos homens, segundo o documento.

“As desigualdades são consequência direta das perspectivas tradicionais sobre o lugar e o papel que devem ocupar as mulheres na sociedade, baseadas em preconceitos e discriminações”, acrescentou.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e ONU Mulheres foram as encarregadas de realizar a pesquisa sobre a qualidade do trabalho feminino na região.

À margem do diagnóstico, o relatório faz uma série de recomendações para diminuir as desigualdades de gênero presentes em praticamente todos os países latino-americanos.

Para se abordar eficazmente a desigualdade os esforços e recursos devem se concentrar em políticas públicas orientadas para as mulheres, “pois são elas as mais vulneráveis à pobreza, que recebem os salários mais baixos e que, ao mesmo tempo, os destinam em maior medida ao bem-estar familiar”.

E indicou a necessidade de criar “um entorno social no trabalho que contribua para prevenir a discriminação contra as mulheres, proteger os direitos das mulheres migrantes e melhorar as condições trabalhistas para o trabalho doméstico”, entre outras políticas.

Os governos, segundo o relatório, “se deixado ao seu livre arbítrio, essas desigualdades tendem mais a se perpetuar no tempo que a se dissolver, tanto em cenários adversos como favoráveis de crescimento econômico”, apontou o relatório.EFE