Após regulação, continua conflito entre taxistas e Uber na Cidade do México

  • Por Agencia EFE
  • 17/07/2015 21h46

Cidade do México, 17 jul (EFE).- Os taxistas convencionais da Cidade do México denunciaram nesta sexta-feira as regulamentações estabelecidas na quarta que permitem o registro das empresas Uber e Cabify na Secretaria de Mobilidade da capital, acentuando o conflito entre as duas modalidades de serviço.

“Este acordo carece de fundamentos legais para regular um serviço como o do Uber e do Cabify, que foram conceitualizados como serviço privado de transporte com motorista, embora este não apareça nem na Lei de Mobilidade nem no regulamento de transporte vigente”, disse em entrevista coletiva o porta-voz dos Taxistas Organizados da Cidade do México (TOCDMX), Ignacio Rodríguez.

O governo da Cidade do México publicou na quarta-feira um esquema de regulação do serviço privado de passageiros mediante aplicativos e plataformas informáticas, que além do registro prevê a emissão de uma permissão para os operadores, sua capacitação e a exigência de que possuam seguro.

A regulamentação determina também a contribuição de 1,5% no custo de cada viagem, sem impactar a cobrança ao usuário, para um Fundo para o Táxi, a Mobilidade e o Pedestre, que será criado futuramente, cujos recursos serão destinados a melhorias no serviço de táxis em geral.

Segundo um boletim emitido pelos taxistas, este “acordo não é um instrumento jurídico suficiente para tornar legal um serviço como o que hoje se pretende legalizar”.

Os taxistas enumeraram condições que permitiram a aceitação deste novo esquema, que incluem uma proporção de uma unidade de serviço privado para cada 50 táxis, uma tarifa mínima inicial de 27,30 pesos (US$ 1,72) e que o veículo leve a permissão à vista e rotulada.

Além disso, denunciaram que a regulação é “totalmente política e pessoal” e acusaram Rufino León, hoje ex-secretário de Mobilidade, de tomar a decisão benefício próprio antes de deixar o governo da capital, nesta quinta-feira.

Por considerar que a entrada de Uber e Cabify gera uma “economia disruptiva”, os taxistas, que há meses se manifestam contra esses serviços, sublinharam que apresentarão um recurso jurídico contra o novo esquema e ao mesmo tempo continuarão fomentando o diálogo.

Nas ruas, o choque de posições é evidente em qualquer roda de conversa sobre o tema com taxistas de um tipo de serviço ou outro.

“Estamos contra porque eles não pagam revisão, placas, verificações nem as identificações oficiais. Estão apresentando um serviço que não está autorizado como serviço público”, disse o taxista Jamil Preciado à agência Efe.

Este taxista com quatro anos de experiência afirmou que após a implementação do Uber seu volume de trabalho diminuiu consideravelmente e denunciou também que o seguro dos veículos do Uber são mais econômicos e não cobrem todos os sinistros.

“É concorrência desleal”, disse à Efe o taxista Juan Jorge Rodríguez, da empresa de rádiotaxi Taximex, que exemplificou que os serviços de passageiros por aplicativo podem chegar ao aeroporto enquanto eles são multados.

No entanto, o motorista do Uber, Arturo Martínez explicou à Efe que a companhia os obriga a ter um seguro de cobertura ampla e avaliou que os motoristas são mais confiáveis e seguros para o usuário, e que ainda devem passar um exame físico e psicológico.

“No México era preciso um serviço como o Uber porque o sindicato de táxis estava muito monopolizado”, sustentou Martínez, e acrescentou que a nova regulamentação é positiva se o permitir “trabalhar livremente”.

Mesmo com isso, explicou que os enfrentamentos com taxistas, que em alguns casos terminaram com a destruição do veículo do Uber ou do Cabify, continuam a acontecer, sobretudo à noite e em áreas de lazer que já possuem pontos de taxi.

Usuários do Uber entregaram em 8 de julho ao governo da capital mais de 121 mil assinaturas de apoio à empresa, em que também se declararam favoráveis à aplicação de uma “regulação leve”, que não se reflita nas tarifas do aplicativo.

O Uber divulgou várias mensagens de agradecimento aos usuários e prometeu que a empresa “chegou para ficar”. Por enquanto, na Cidade do México o aplicativo afirma ter meio milhão de usuários e 10 mil motoristas parceiros. EFE

mqb/cd