Assad resiste a conflito e segue os passos de seu pai

  • Por Agencia EFE
  • 01/06/2014 15h54

Susana Samhan

Beirute, 1 jun (EFE).- O presidente da Síria, Bashar al Assad, encara as eleições de 3 de junho com a certeza de que será reeleito e se perpetuará no poder como fez seu pai, Hafez al Assad.

Não se sabe se Assad, um oftalmologista de profissão que quando chegou ao poder parecia um homem com pouco carisma e de talento moderado, é um Maquiavel que movimenta os fios ou o rosto visível de um regime inexpugnável que maneja a situação.

Seja como for, Assad se valeu do ferrenho sistema político construído por seu pai, Hafez al Assad, de quem herdou o cargo após sua morte, em 10 de junho de 2000, para se manter no posto e agora tentar estender seu mandato.

Ele desperta paixões distintas entre os sírios, que o odeiam de morte ou o idolatram, dependendo de sua simpatia ou inimizade com o regime, embora exista uma grande massa que simplesmente deseja viver em paz.

Frente à rigidez de seus discursos e nas entrevistas que concedeu nos últimos três anos, o líder se exibiu sempre relaxado e inclusive sorridente, conhecedor da idiossincrasia da sociedade síria.

“A maioria dos sírios está no meio, e depois tem gente que te apoia e gente que é contra, portanto a maioria sempre está no meio, o que não significa que esteja contra”, dizia em um desses discursos, nos quais costuma dominar a retórica com grande habilidade.

Apesar de defender contra tudo e contra todos que seu país encara uma luta contra o terrorismo, ele admitiu que o sistema político de seu país não é democrático e que são necessárias as reformas.

“Há diferença entre ditador e ditadura. A ditadura é o sistema e nunca dissemos que éramos uma democracia, mas estamos nos movimentando para as reformas. Sobre minha pessoa, o que fizer deve se basear na vontade do povo, porque a legitimidade popular é necessária”, afirmou em dezembro de 2011.

Ciente de que seu grande trunfo é a instituição militar, dirigida por oficiais próximos ao regime pertencentes à seita alauita – à qual ele mesmo pertence -, Assad explicou em outra entrevista que “na Síria há estabilidade, é porque o exército não está dividido; se estivesse, não haveria”.

Assad cumpriu com todo rigor o roteiro que esboçou em 2011, quando adiantou que haveria eleições parlamentares e uma nova Constituição antes do pleito presidencial em 2014.

Agora que se encontra em plena campanha eleitoral, aumentaram suas aparições em público nas quais se mostra paternalista e protetor.

Em alguns atos, Assad é acompanhado por sua esposa Asma, com a qual tem três filhos, e junto com quem tenta dar uma imagem de modernidade e moderação frente “aos inimigos da nação”, como chama “os terroristas de ideologia takfiri” (extremistas radicais).

Nascido em 11 de setembro de 1965 em Damasco, Assad estudou medicina e se especializou em oftalmologia na capital síria e em Londres, onde cursou uma pós-graduação.

Em 1994, foi chamado por seu pai, o então presidente, Hafez al Assad, após a morte de seu irmão mais velho Basel, o primogênito, em um acidente de trânsito. A partir de então, Bashar foi subindo na carreira militar com o apoio paterno.

Depois da morte de seu pai, que governou o país durante quase três décadas, ele foi declarado presidente pelo parlamento após um referendo popular no qual recebeu uma aprovação de 97,29% e jurou o cargo em 17 de julho de 2000.

Depois de sua chegada ao poder, pensava-se que ia implementar reformas democratizadoras, mas menos de um ano depois foram detidos ativistas e opositores.

Em 2007, Assad renovou seu mandato por outros sete anos em um referendo no qual obteve 97,62% dos votos.

Sua intenção é conseguir um terceiro mandato, apesar de um país fragmentado por um conflito bélico. EFE